Redução de taxas é principal mudança desejada por motoristas de aplicativo
Para a maioria dos leitores (44%) do Campo Grande News , a redução das taxas cobradas pelas plataformas precisa ser a principal mudança no setor. O resultado foi obtido por meio da enquete publicada nesta quarta-feira (11). O Congresso pretende votar o Projeto de Lei Complementar 152/25 no próximo mês. Já 24% disseram que o mais importante seria garantir seguro e acesso à previdência, enquanto 20% afirmaram que o modelo atual já funciona. Outros 12% apontaram a necessidade de garantir uma renda mínima para quem trabalha no setor. Motorista de aplicativo há cerca de seis anos, Carlos dos Santos, de 53 anos, afirma que a principal dificuldade da categoria está na diferença entre o valor pago nas corridas e os custos do trabalho. “Hoje o combustível está em torno de R$ 6 o litro e às vezes aparece corrida de R$ 5. As plataformas não acompanharam esse aumento de custos. Elas sempre ganham, mas quem trabalha no dia a dia vê que está tudo apertado”, disse. Para ele, a regulamentação pode ser positiva, desde que resulte em melhores ganhos para os motoristas. “Pode ser viável, mas vai ter custo para o trabalhador também. Provavelmente vamos ter que formalizar alguma coisa, como MEI (Microempreendedor Individual), para pagar contribuição. Então precisa melhorar o valor das corridas para compensar”, afirmou. Motoentregador, Junior de Oliveira, de 45 anos, também vê a proposta com cautela. Para ele, o principal desafio será fazer as regras serem cumpridas. “Pode até ser bom. O problema é saber quem vai fiscalizar. A plataforma não liga muito para isso. O negócio dela é mandar a corrida ou a entrega para você aceitar”, comentou. De acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o projeto de lei deverá ser votado até o início de abril. “Que consigamos entregar ao país uma condição para que esses trabalhadores tenham mais dignidade no trabalho, sem que isso resulte em aumento de custos para os consumidores”, afirmou. Um dos pontos do projeto, defendido pelo Governo Federal, prevê a criação de uma taxa mínima de R$ 10 por corrida ou entrega, com acréscimo de R$ 2,50 por quilômetro rodado. No entanto, o tema ainda gera divergências. Segundo o relator da proposta, deputado federal Augusto Coutinho (Republicanos-PE), o valor fixo pode não refletir a realidade de todas as regiões do país. “R$ 10 nas capitais como São Paulo ou Rio de Janeiro não é igual a R$ 10 no interior de Pernambuco, onde o ticket de um lanche é muito inferior”, afirmou. De acordo com o parlamentar, esse é o principal impasse que ainda precisa ser resolvido antes da votação do projeto. Em 2022, motoentregadores de uma plataforma realizaram uma motociata em Campo Grande. Os trabalhadores reivindicavam o reajuste da taxa mínima de entrega, que na época era de R$ 5,31. Outra reivindicação era a vinculação dos entregadores a uma jornada fixa de expediente.