Repercussão da prisão de Bolsonaro acirra discurso entre direita e esquerda
A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes na manhã deste sábado, 22, provocou forte polarização entre lideranças políticas de direita e esquerda. Enquanto parlamentares ligados ao PL classificaram a decisão como arbitrária, desproporcional e motivada por perseguição, representantes da oposição governista afirmaram que a medida reforça a atuação das instituições e responde a reiteradas tentativas de violar medidas judiciais.
Direita denuncia “abuso de autoridade” e perseguição ao ex-presidente
Entre aliados de Bolsonaro, a reação foi imediata e marcada por críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal (STF). O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que a prisão preventiva foi decretada “sem qualquer fato novo” e acusou o ministro Alexandre de Moraes de atuar “como legislador, polícia, juiz e carrasco ao mesmo tempo”. Segundo ele, a decisão “não segue lógica jurídica” e representa um “recado de poder pessoal”.
O senador Ciro Nogueira também classificou a medida como injusta e alegou que o estado de saúde do ex-presidente torna a prisão indevida. Ele afirmou que Bolsonaro vive um “martírio” e disse prestar solidariedade à família: “Muitos não sucumbem às violências. São eternizados por elas”.
Em nota oficial, o PL afirmou que a ordem de prisão “causou espanto” e destacou o “estado de saúde debilitante” de Bolsonaro, atribuído à facada sofrida em 2018 e às cirurgias subsequentes. O partido informou que a defesa recorrerá da decisão e reiterou apoio irrestrito ao ex-presidente.
O governador de São Pauo, Tarcísio de Freitas, se manifestou, pelas redes sociais, sobre a prisão de Bolsonaro. Segundo o aliado, a medida, “além de irresponsável, atenta contra o princípio da dignidade humana”. “Bolsonaro é inocente e o tempo mostrará. Seguimos firmes ao seu lado e lutaremos para que essa injustiça seja reparada o quanto anos”, continou.
Esquerda vê decisão como resposta institucional a tentativas de fuga e descumprimento de medidas
Parlamentares de esquerda avaliaram a prisão como necessária para preservar a autoridade das instituições. A deputada Sâmia Bomfim afirmou que a medida é “um passo importante para a garantia da justiça”, sustentando que Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica e que a convocação de vigília promovida por Flávio Bolsonaro configuraria “manobra para dificultar a ação policial”.
O deputado Pastor Henrique Vieira considerou o dia “histórico”, afirmando que a decisão deixa “um recado para aqueles que tentaram contra a democracia”. Erika Kokay, por sua vez, ampliou o escopo das críticas, associando a prisão a um conjunto de ações atribuídas ao ex-presidente, como a condução da pandemia.
Também reagindo, a deputada Erika Hilton destacou que a tentativa de rompimento da tornozeleira e a possibilidade de fuga justificam a prisão preventiva. Já Marcelo Freixo afirmou que a decisão se baseou em dois elementos centrais: a convocação da vigília de caráter golpista e a fuga de Alexandre Ramagem para os Estados Unidos, ocorrida dias antes.
Para Chico Alencar, a prisão representa o “cumprimento das quatro linhas” da Constituição. O deputado ironizou a convocação promovida por Flávio Bolsonaro, afirmando que ela teria “antecipado a hora” do ex-presidente.
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