Congresso ignora Lula e Bolsonaro — e atua em causa própria
O Congresso Nacional vem derrotando tanto o governo Lula quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a um ano das eleições gerais. Na semana em que Bolsonaro passou a cumprir pena definitiva pela trama golpista, parlamentares bolsonaristas se revoltaram com o presidente da Câmara, Hugo Motta, por ele não ter pautado uma anistia “ampla, geral e irrestrita” que, no fim, busca beneficiar apenas o ex-presidente.
É evidente que tanto Bolsonaro quanto sua base bolsonarista não se importam com os “pop corn e ice cream sellers” que estavam nos atos golpistas do 8 de janeiro. A saída “fácil” para o ex-presidente é a aposta para a extrema-direita não para libertá-lo da prisão ou diminuir sua pena, mas para danificar, ainda mais, a imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Alexandre de Moraes que, provavelmente, vão derrubar tal projeto.
A proposta, que é vista como inconstitucional, está guardada na gaveta de Motta que faz promessas e mais promessas de que irá pautá-lo, mas, no fim, não tem clima para tal. No bolso tanto de Lula, quanto da base bolsonarista, Motta não tem saída, já que uma hora terá que decepcionar e escolher definitivamente um dos lados. Isso deve acontecer mais próximo às eleições quando as pesquisas indicarem quem deve ter mais chance de eleição ao Planalto.
Já contra Lula, a Câmara e o Senado se juntam e derrubam vetos do presidente em projetos importantes, como o conhecido como “PL da Devastação”. Além disso, Lula demorou um tempo relevante para aprovar propostas de interesse público, como a isenção de imposto de renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil.
A proposta citada por último é sim eleitoreira, mas afeta positivamente uma grande parcela da sociedade. Outro ponto a ser tocado é o PEC que dá fim à escala 6×1. No sistema em que vivemos, onde a maior parcela da população adoece por falta de tempo e dinheiro, a PEC seria importante para corrigir uma injustiça histórica com os mais pobres. O Congresso, no entanto, não se importa.
Com mudanças de cargos e de partidos que compõe a base de Lula, o futuro passa a ser mais imprevisível. Sem a maioria no Congresso e tendo que depender mais e mais dos presidentes das Casas, o jogo político deve ser mais intenso para o presidente no próximo ano, quando deve disputar a reeleição.
Já para Bolsonaro, a expectativa é conseguir assistir o máximo de séries enquanto cumpre sua pena de 27 anos. Sua base, no entanto, continuará fazendo barulho para evitar que ele pague por seus crimes. Porém, essa luta deve ser em vão. Bolsonaro deverá continuar preso, não importando o regime, e inelegível. E a sua família, cada vez mais desmoralizada pelo trabalho que faz contra o Brasil, restará levar livros para o patriarca na prisão a espera de que o cenário político faça um 360 para que, talvez, ele consiga passar seu longo tempo de cárcere na mansão em que vivia.
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