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STF tem de ser mais rápido na admissão de atendimento médico pra Bolsonaro… e riso de Daniela Lima não é asqueroso

A condenação de Jair Bolsonaro é justa. Porque quem conspira e age contra a democracia prefere uma vaga na prisão. Portanto, ao apená-lo com 27 anos e três meses de cadeia, o Supremo Tribunal Federal agiu certo. Guardou-se respeito à lei e, notadamente, à democracia.

Ao contrário do que se costuma propagar nas hostes da direita bolsonarista, Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF, e não apenas pelo ministro Alexandre de Moraes.

A condenação de Jair Bolsonaro, de generais do Exército e de um almirante da Marinha tem caráter pedagógico. Daqui pra frente, contrariando a história do país, golpistas civis e militares poderão ser presos e ficarem inelegíveis. É um desestímulo aos adeptos de putschs.

Entretanto, em relação à saúde de Jair Bolsonaro — e não apenas por ser um ex-presidente da República —, o STF, notadamente o ministro Alexandre de Moraes, tem de considerar a opinião dos médicos, sejam os dele ou os indicados pela Justiça.

Considerar significa admitir cuidados imediatos, pois Jair Bolsonaro é um idoso de 70 anos e com um histórico de saúde complicado. Não é a Polícia Federal, que não é especializada em medicina, que deve dizer se o paciente-preso deve ou não ser internado. Sim, só pode ser liberado pela Justiça para ir ao hospital fazer exames, mas a decisão sobre a necessidade imediata de atendimento especializado deve ser médica.

Jair Bolsonaro internado | Foto: Carlos Bolsonaro

A pena de Jair Bolsonaro já está decidida, quer dizer, está preso, por enquanto na Polícia Federal e, depois, numa penitenciária, possivelmente na Papuda, em Brasília. Não permitir atendimento médico imediato, quando havia suspeita de traumatismo craniano — ainda que “leve” —, não faz parte da pena, e sim de um castigo a mais. O que não é justo.

Sei que dizer o que estou apontando é ganhar a ira de parte da esquerda (ao mesmo tempo, não se agrada o bolsonarismo, pois digo que sua condenação é justa). Até porque Jair Bolsonaro nunca teve um comportamento exemplar com as pessoas que sofriam durante a pandemia da Covid-19.

Quando presidente — faltando com o respeito, até pela liturgia do cargo —, Jair Bolsonaro chegou a debochar de pessoas que, dada a Covid, estavam com falta de ar. Ele chegou a imitar a respiração ofegante dos pacientes — a quem “receitava” a ineficaz cloroquina e não a vacina.

Quando jornalistas apontaram o número de pessoas mortas por causa da Covid, Jair Bolsonaro não reagiu com compaixão. Ele disse: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?”

No auge da pandemia, Jair Bolsonaro aconselhou que as pessoas deveriam “parar de frescura, de mimimi”. Era um crítico das medidas de prevenção e isolamento social.

Com o mundo em pânico, e com os cientistas apressando-se para fazer a vacina, Jair Bolsonaro chamou a Covid de “gripezinha”. O tal “resfriadinho” resultou em 716.626 mortes. Quase 1 milhão de mortos. “Não sou coveiro”, disse, sem nenhuma empatia, Jair Bolsonaro.

Jair Bolsonaro duvidou o tempo inteiro da eficácia da vacina. Sugeria medicamentos paliativos, que, a rigor, nem paliativos eram. O que resolveu mesmo o problema — a redução paulatina de mortes — foi mesmo a vacina.

Isto sugere que é preciso tratar Jair Bolsonaro com descaso? Não, claro. O ex-presidente precisa ser tratado com o máximo de cuidado e respeito.

Quanto à sua saúde, não está em jogo a questão ideológica ou suas idiossincrasias. Está em jogo a sua vida. Portanto, quando adoecer, deve ser encaminhado a um hospital, o mais rápido possível, sem as questiúnculas de praxe.

É preciso ponderar, inclusive, sobre a possibilidade de prisão domiciliar para Jair Bolsonaro. Claro, ouvindo médicos independentes, e não apenas os que cuidam do ex-presidente.

Jair Bolsonaro pode fugir do hospital? Se estiver bem vigiado pela Polícia Federal, certamente que não terá como escapar.

Riso de Daniela Lima não é asqueroso

Daniela Lima: jornalista | Foto: Reprodução

O bolsonarismo tem atacado a jornalista Daniela Lima, do UOL, porque teria “debochado” de Jair Bolsonaro. Na verdade, a profissional não fez nada pior do que o ex-presidente quando falava dos pacientes com Covid.

Daniela Lima perguntou para Carla Araújo, no UOL: “Quem caiu da cama?” A convidada respondeu: “Como assim?” A jornalista acrescentou: “Quem caiu da cama e teve um traumatismo craniano?”

Em seguida, Ricardo Kotscho — um dos mais importantes repórteres do país — arrematou: “Caiu da cama e virou notícia”. Daniela Lima riu da frase do decano.

Pode-se falar em deboche? Talvez não. Qual a gravidade dos comentários e do riso da jornalista, bem sutis, por sinal? Nenhuma.

Michelle Bolsonaro, mulher de Jair Bolsonaro, classificou o tom de Daniela Lima de “asqueroso”. Não é, diria Flaubert, o mote justo. É uma palavra ao vento.

Patrícia Campos Mello: repórter atacada pelo bolsonarismo | Foto: Reprodução

D. H. Lawrence escreveu, no poema “Elementar” (tradução de Leonardo Fróes): “Porque é que as pessoas não param de ser amáveis/ ou de pensar que são amáveis, ou de querer ser amáveis,/ e passam a ser um pouco mais elementares.// (…) o homem não pende inteiramente para o lado dos anjos.// (…) Estou cheio das pessoas amáveis/que são, de alguma forma, uma mentira”.

É isto: Daniela Lima não exagerou. Pode-se até discordar do riso, pois se trata de um caso de doença. Porém, dado o histórico de Jair Bolsonaro, que elevou a grosseria a assunto de Estado, o comentário e o riso da jornalista são pesos leves. São até refinados. Ela não foi “amável”, por certo, mesmo sem saber, seguindo o poema do bardo britânico que morreu aos 44 anos — de tuberculose (uma “tossezinha”, diria o ex-presidente)

O que se deve criticar não são o comentário e o riso de Daniela Lima. A opinião dela — junto com seu riso — deve ser respeitada, ainda que não seja acatada por todos. O bolsonarismo não aprecia respeitar opiniões divergentes e tem o hábito de xingar, sempre com mais energia e destempero, as analistas mulheres, como Daniela Lima, Vera Magalhães e Patrícia Campos Mello.

O que se deve criticar é a demora no atendimento a Jair Bolsonaro e sugerir que é preciso levar em consideração as decisões médicas.

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