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Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos

O Banco Central decretou nesta quinta-feira, 15, a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Investimentos, com sede em São Paulo. A decisão ocorre no contexto das investigações da segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, informou que foi nomeado um liquidante independente para conduzir o processo. Segundo a autoridade monetária, a medida foi motivada por graves violações às normas que regem o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Também foi determinada a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da instituição.

Na quarta-feira, 14, o fundador e ex-executivo da Reag, João Carlos Mansur, foi alvo de mandados de busca e apreensão. A Polícia Federal também realizou diligências em endereços ligados ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a familiares.

A liquidação extrajudicial atinge apenas a instituição responsável pela administração dos fundos, não os fundos em si. A Reag atua como gestora e administradora de mais de 80 fundos de investimento, que seguem ativos, mas deverão buscar novos administradores para garantir a continuidade das operações.

De acordo com o Banco Central, a instituição estava enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, que reúne empresas de pequeno porte e baixo impacto sistêmico, representando menos de 0,001% do ativo total do SFN. Por isso, eventuais problemas não oferecem risco relevante à estabilidade do sistema financeiro.

O caso do Banco Master ganhou repercussão nacional após o BC determinar sua liquidação, em novembro, diante de suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 12,2 bilhões. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, trata-se possivelmente da maior fraude bancária já registrada no país.

A Reag é suspeita de ter participado das irregularidades ao atuar como parceira do Banco Master na administração de fundos. A operação mais recente resultou na apreensão de veículos, relógios de luxo, dinheiro em espécie e outros bens de alto valor. Por decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, foram autorizados 42 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.

Além desse caso, a Reag também foi investigada na operação Carbono Oculto, que apurou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), envolvendo o setor de combustíveis, fundos de investimento e fintechs. À época, a empresa negou irregularidades e afirmou colaborar com as autoridades.

Em setembro do ano passado, João Carlos Mansur deixou a presidência do conselho de administração da Reag. No mesmo período, as acionistas controladoras firmaram acordo para vender 87,38% da companhia à Arandu Partners Holding, por cerca de R$ 100 milhões, com pagamento adicional condicionado ao desempenho futuro da empresa.

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