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Golpes contra idosos aumentam nas férias e datas comemorativas, especialista alerta para cuidados

Com a chegada das férias e de das datas comemorativas, cresce também o número de golpes aplicados contra idosos. Ao Jornal Opção, a advogada criminalista Isadora Costa explica, nesta sexta-feira, 16, que esse aumento está diretamente ligado ao maior desejo da população em obter benefícios econômicos, seja por meio de promoções, descontos ou até mesmo supostos benefícios previdenciários. “Próximo a datas comerciais e festivas, há um anseio maior das pessoas em fazer o dinheiro valer. É justamente nesse momento que os golpistas se aproveitam”, afirma.

A advogada criminalista Isadora Costa | Foto: Acervo Pessoal

Segundo Isadora, os criminosos costumam se passar por gerentes de banco ou funcionários do INSS, oferecendo cancelamento de empréstimos ou liberação de benefícios inexistentes. “Nem instituições financeiras nem o INSS entram em contato por telefone, e-mail ou mensagem solicitando dados pessoais ou fotos de documentos. Esse é o primeiro sinal vermelho”, alerta. Além disso, links enviados por e-mail ou mensagens patrocinadas também devem ser evitados. A recomendação é sempre utilizar os canais oficiais, como aplicativos bancários ou o portal gov.br.

Os golpistas preferem pessoas mais velhas por serem, em muitos casos, menos familiarizadas com a tecnologia e menos informadas sobre os golpes em circulação. “A idade avançada pode dificultar a compreensão das informações, e os criminosos se aproveitam disso usando termos técnicos ou palavras difíceis”, explica a advogada.

Isadora reforça que é essencial agir rápido. Desde dezembro, já existe um sistema que permite bloquear e rastrear valores transferidos via Pix, e a partir de 2 de fevereiro será obrigatório que todos os bancos participem desse mecanismo. “Se a vítima caiu em um golpe, deve procurar imediatamente a delegacia e, se possível, um advogado para orientar sobre provas e documentação. Também é importante entrar em contato com a instituição financeira para tentar desfazer empréstimos ou bloquear valores”, detalha. Apesar da rapidez com que os golpistas agem, ainda é possível reduzir prejuízos e buscar reparação judicial.

O crime de estelionato tem pena de um a cinco anos, mas pode ser agravado em casos contra idosos ou vulneráveis, aumentando de um terço até metade da pena. Quando há fraude eletrônica, a punição pode chegar a quatro a oito anos. “Existe sim o que se fazer na esfera criminal, buscando a punição do criminoso, e também na esfera cível, inclusive responsabilizando instituições financeiras quando houver falhas na proteção de dados”, explica Isadora.

Muitos idosos evitam denunciar por vergonha, mas a advogada reforça que a culpa nunca é da vítima. “Quem deve sentir vergonha é quem praticou o crime. Todos nós estamos suscetíveis a cair em golpes”, afirma. Ela recomenda que familiares auxiliem os idosos no uso de aplicativos e transações eletrônicas, além de manter diálogo constante sobre os riscos. “É importante que o idoso não tente resolver tudo às pressas. Dizer que vai consultar um filho ou neto antes de prosseguir pode evitar grandes prejuízos”, afirma.

Isadora Costa deixa um recado às vítimas: “A primeira coisa é manter a calma. Procurar ajuda rapidamente aumenta as chances de recuperar valores e punir os criminosos. Não é motivo de vergonha, e sim de buscar apoio para diminuir os danos”, finaliza.

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