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Defensoria inicia grupo para reflexão de presos sobre violência contra a mulher

A DPGE (Defensoria Pública-Geral do Estado) iniciou, na última sexta-feira (9), um grupo de reflexão com homens privados de liberdade no Estabelecimento Penal Masculino de Rio Brilhante. A iniciativa envolve acusados e condenados por violência doméstica e familiar contra mulheres e terá encontros semanais até o mês de abril. A participação é voluntária, e os internos poderão obter remissão de pena ao final dos 12 encontros. Os participantes também terão horas certificadas pelas atividades desenvolvidas ao longo das reuniões. Segundo a Defensoria, o grupo reflexivo foi estruturado como uma ferramenta de transformação social, com foco na conscientização sobre as violências praticadas e na discussão das desigualdades de gênero presentes na sociedade. “Nós deixamos livros com eles, para que ao final a gente faça uma síntese do que eles compreenderam dos livros. A gente vai ao longo dos encontros compartilhando matérias jornalísticas, enfim. E isso é um projeto piloto, então a ideia é ver como que vai funcionar, entender se a gente está no caminho certo”, comenta Kricilaine Oksman, coordenadora do Nudem (Núcleo de Defesa das Mulheres). No primeiro encontro, foi exibido o documentário Silêncio dos Homens. A defensora relata que os participantes compartilharam experiências pessoais e familiares logo na reunião inicial. “É muito difícil porque muitos nem reconhecem que praticaram violência contra a mulher, não concordam, se sentem injustiçados por estarem obrigados a participar dos grupos [quando são obrigatórios]. Então a gente imaginava que seria um pouco diferente, justamente porque a adesão era voluntária, não uma obrigação”, informa. O projeto surgiu durante a campanha Agosto Lilás, após uma visita da defensora pública Taís Ferretti, atualmente na Casa da Mulher Brasileira, ao presídio. Segundo Kricilaine, a experiência mostrou a necessidade de um diálogo permanente com esse público. “Ela ficou bastante impactada com o retorno deles. Eles disseram que não tinham esse tipo de conversa, essa visão mais ampla da situação de violência”, afirma. A proposta é abordar temas como patriarcado, violência de gênero e masculinidades, com foco na prevenção da reincidência. “O que a gente percebe é que apesar do feminicídio cada vez mais estar sendo punido de forma mais severa, nós tivemos no último ano aqui em Mato Grosso do Sul, um aumento. Então o que a gente tem tentado e o nosso objetivo é trabalhar de uma forma em paralelo a esse nosso desejo de evitar reincidência, mas é transformar mesmo esses homens e trabalhar na prevenção”, pontua. Além do Nudem, participam da iniciativa o Nucrim (Núcleo Criminal), o Nuspen (Núcleo do Sistema Penitenciário) e a Coordenadoria Criminal de Segunda Instância, além de profissionais das áreas de psicologia e assistência social. A Defensoria também estuda parcerias com outras instituições para ampliar a atuação multidisciplinar.

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