Incentivo fiscal impulsiona alta de 12% no abate de gado orgânico no Estado
O abate de bovinos criados com certificação orgânica ou sustentável em Mato Grosso do Sul cresceu 12% em 2025, alcançando 205,9 mil cabeças. O avanço foi impulsionado principalmente pelo maior engajamento dos produtores no programa estadual de incentivo fiscal, segundo o diretor executivo da ABPO (Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável), Guilherme de Oliveira. Com o resultado, os animais certificados passaram a representar cerca de 5% de todo o volume abatido no Estado, consolidando a pecuária sustentável como um segmento em expansão no mercado sul-mato-grossense. Ao Campo Grande News , Guilherme explicou que o programa estadual traz benefícios no pagamento do valor da arroba para os produtores que participam. "Hoje o governo paga de 2% a 2,5% no valor da arroba. Esse valor bruto é pago de incentivo para o produtor além daquilo que ele já abate. Então esse incentivo vem quando ele está certificado, está associado a uma entidade representativa, no caso da ABPO, e aí ele na hora do abate desses animais oriundos do Pantanal eles recebem esse incentivo", disse. Atualmente, 115 propriedades rurais recebem o benefício fiscal por atenderem a uma série de exigências socioambientais. Entre os principais critérios estão a rastreabilidade do rebanho, a alimentação baseada em pastagens nativas do bioma Pantanal, além da proibição do uso de antibióticos e de outros promotores de crescimento. Os produtores enquadrados no programa podem receber isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de até 67% para o gado orgânico e de 50% para o sustentável. Ao todo, R$ 24.744.048,41 foram pagos aos pecuaristas participantes. Em 2024, os abates com incentivo fiscal representavam 6,3% do total estadual. As regras do programa também estão ficando mais rigorosas. Até 2025, era necessário cumprir pelo menos 50% dos critérios exigidos. Para este ano, a previsão é que os produtores tenham de atender a 60% das exigências para continuar recebendo o benefício. A expectativa da associação pantaneira é que o crescimento anual de abates neste modelo sustentável alavanque a participação de mais produtores no projeto de incentivo fiscal. "A gente tem uma tendência forte de crescimento, porque estamos passando por uma reformulação do protocolo, já com o intuito de atingir novas propriedades, principalmente as propriedades de cria. Não necessariamente a gente vai ter o incentivo para o criador, mas a gente está estudando alguma forma de gerar algum ganho a mais para quem tem o bezerro para vender", analisou o diretor executivo da ABPO. O programa - O incentivo faz parte do Programa de Incentivo à Produção de Carne Bovina Sustentável e Orgânica no Pantanal, criado em 2019 pelo Governo do Estado, por meio da Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar). A iniciativa busca fomentar a competitividade da pecuária regional e estimular um modelo de produção de baixo impacto ambiental, baseado no manejo tradicional e com reduzida intervenção nos recursos naturais do Pantanal. O programa também prevê o uso de novas tecnologias e o desenvolvimento de linhas de produtos diferenciados, com maior valor agregado e certificação por empresas independentes. No caso dos produtores inscritos no PROAPE (Programa de Apoio à Produção Agropecuária), subprograma Carne Sustentável do Pantanal, o incentivo fiscal chega a 67% do imposto devido nas operações internas com bovinos certificados como Pantanal Orgânico e a 50% para a modalidade Pantanal Sustentável, desde que os animais estejam identificados pelo sistema Sisbov ((Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos) e conferidos pelo Serviço Oficial de Inspeção.