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Junte-se aos bons

 Existe um momento na vida em que a gente entende que não basta apenas seguir caminhando, é preciso escolher com quem se caminha. Porque companhia não é detalhe, é direção. As pessoas ao nosso redor moldam silenciosamente aquilo que acreditamos ser possível, aceitável e até aquilo que achamos que merecemos. E é por isso que, em algum ponto da maturidade emocional, surge uma decisão silenciosa e necessária: juntar-se aos bons. Não bons no sentido de perfeitos, porque ninguém é. Bons no sentido de quem soma, de quem constrói, de quem não transforma tudo em peso, drama, disputa ou desgaste constante. Pessoas boas são aquelas que não competem com a sua luz, que não diminuem suas conquistas, que não sabotam sua paz porque ainda não encontraram a delas. São aquelas que vibram com você, que te puxam para cima quando você esquece do seu valor, que conseguem celebrar sem inveja e corrigir sem humilhar. Pessoas medíocres não são necessariamente más, mas são perigosas para quem quer crescer. A mediocridade vive do conforto da reclamação, da crítica vazia, da incapacidade de assumir responsabilidades e do medo constante de mudar. Pessoas medíocres normalizam o pouco, ridicularizam quem sonha grande, desdenham de quem tenta melhorar e, principalmente, tentam nivelar todos pelo ponto mais baixo possível, porque crescimento alheio confronta aquilo que elas escolheram não enfrentar dentro delas. E existe também o cansaço silencioso de lidar com pessoas difíceis, aquelas que transformam qualquer convivência em campo minado, que vivem em conflito permanente, que sugam energia, que fazem da vida uma sequência interminável de problemas, intrigas e tensões. Gente difícil não desafia você a crescer, desafia você a sobreviver emocionalmente. E viver em modo sobrevivência não é viver, é resistir ao dia seguinte sem espaço para florescer. A vida já é exigente demais para ser carregada ao lado de quem só pesa. Já existem desafios suficientes sem precisar carregar também o caos emocional de quem não quer evoluir, não quer se responsabilizar, não quer melhorar e ainda tenta arrastar outros para o mesmo lugar de estagnação. Juntar-se aos bons é um ato de amor-próprio. É entender que ambiente molda destino. Que convivência molda mentalidade. Que proximidade molda comportamento. Você se torna parecido com aquilo que você tolera diariamente. Você absorve discursos, padrões, limites e até sonhos das pessoas que estão ao seu redor. Cercar-se de gente que acrescenta não significa buscar pessoas perfeitas, significa buscar pessoas comprometidas com crescimento, com verdade, com responsabilidade emocional, com evolução. Gente que erra, mas assume. Gente que cai, mas levanta. Gente que aprende. Gente que não transforma a própria dor em desculpa para ferir os outros. Existe algo profundamente transformador em estar perto de quem inspira, de quem te lembra que é possível ser melhor sem perder a essência, de quem mostra que maturidade não é frieza, é consistência. Pessoas que acrescentam ampliam seu mundo, não reduzem. Elas trazem conversas que expandem, ideias que provocam, atitudes que ensinam sem precisar discursar. E, muitas vezes, afastar-se de pessoas medíocres e difíceis não exige briga, explicação longa ou confronto dramático. Às vezes é só silêncio. É só menos presença. É só parar de investir energia onde só existe desgaste. É só escolher novos caminhos, novos ambientes, novas rodas de conversa, novos espaços onde a vida parece mais leve e mais possível. Nem todo mundo vai acompanhar sua evolução. Nem todo mundo vai entender suas escolhas. Nem todo mundo vai gostar de ver você se tornando alguém mais consciente, mais firme, mais seletivo. E tudo bem. Crescimento verdadeiro quase sempre exige desapego de versões antigas — e, junto com elas, de pessoas que só cabiam naquela versão antiga. Existe uma coragem silenciosa em escolher qualidade ao invés de quantidade. Em preferir poucos e bons ao invés de muitos e rasos. Em escolher conversas que alimentam ao invés de convivências que drenam. Juntar-se aos bons não é arrogância. Não é soberba. Não é se achar melhor que ninguém. É entender que cada pessoa escolhe o tipo de vida que quer construir — e você também pode escolher. Porque, no fim, a vida é feita de trocas. E você merece trocas que elevem, que fortaleçam, que acrescentem, que expandam quem você é, não que diminuam, não que limitem, não que sufoquem. Chega um momento em que a paz vale mais do que insistir em vínculos que só existem por costume, culpa ou medo de ficar sozinho. E quando você começa a escolher melhor quem caminha ao seu lado, algo muda por dentro: o mundo fica menos pesado, os dias ficam mais possíveis e você descobre que crescer não precisa ser solitário — só precisa ser seletivo. Porque, no fim das contas, a vida é curta demais para ser vivida ao lado de quem não quer crescer, e longa demais para ser desperdiçada longe de quem te ajuda a florescer. (*) Cristiane Lang, psicóloga especialista em oncologia. 

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