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Instituto Butantan desenvolve pomada cicatrizante à base de fungo da Caatinga

Pesquisadoras do Instituto Butantan desenvolveram uma pomada cicatrizante com potencial para regenerar a pele lesionada sem deixar marcas aparentes ou queloides. O produto é formulado a partir de um composto bioativo extraído de um fungo identificado no bioma da Caatinga, região reconhecida por sua rica biodiversidade e pelo alto potencial farmacológico ainda pouco explorado.

A pesquisa está sendo conduzida no Laboratório de Desenvolvimento e Inovação (LDI) e conta com a parceria da startup BiotechnoScience Farmacêutica. Resultados pré-clínicos indicam que a aplicação tópica da pomada estimula a produção uniforme de colágeno e acelera o processo natural de cicatrização, apresentando desempenho superior ao de pomadas cicatrizantes atualmente disponíveis no mercado.

Da pesquisa básica à inovação tecnológica

A descoberta teve início em 2010, quando pesquisadores isolaram o fungo a partir de amostras da vegetação da Caatinga. Na fase inicial, os estudos tinham como objetivo investigar possíveis propriedades antibióticas e antitumorais da molécula produzida pelo micro-organismo. No decorrer das análises, os cientistas levantaram a hipótese de que o composto também poderia atuar na regeneração celular, um mecanismo fundamental para a cicatrização de feridas.

Ensaios laboratoriais realizados com células endoteliais e fibroblastos confirmaram o potencial regenerativo da substância. Após anos de testes e validações, o Instituto Butantan solicitou, em 2018, o registro da patente da formulação. A pesquisa contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Com a patente concedida, a tecnologia passou a ser desenvolvida dentro de um modelo de inovação aberta, permitindo que a startup parceira assumisse as etapas finais do desenvolvimento e os trâmites regulatórios junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Quando o produto for lançado no mercado, o acordo prevê o pagamento de royalties ao instituto.

Além do potencial impacto na área médica e dermatológica, o projeto reforça a importância da biodiversidade brasileira como fonte de soluções inovadoras e destaca o papel estratégico do investimento público em ciência, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

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