Mesmo sem reajuste da Petrobras, guerra faz diesel subir R$ 0,45 na Capital
Apesar de não haver aumento oficial anunciado pela Petrobras, o preço do diesel já começou a subir nos postos de combustíveis em Mato Grosso do Sul. A pressão está relacionada ao cenário internacional. Segundo o Sinpetro-MS (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul), o combustível teve alta média de R$ 0,45 nas bombas dos postos de Campo Grande. O diretor-executivo do sindicato, Edson Lazarotto, já havia adiantado ao Campo Grande News que, até o momento, não há confirmação oficial de desabastecimento no Estado. A guerra no Oriente Médio tem elevado a cotação do barril do petróleo tipo Brent, referência no mercado global. Quando o preço internacional reage, o impacto tende a atingir toda a cadeia de combustíveis. Outro fator que sinaliza essa pressão foi um leilão de diesel S-500 realizado pela Petrobras na base de Canoas, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, compradores aceitaram pagar valores acima do preço de referência, indicando que o mercado já está disposto a desembolsar mais pelo produto. Mais cedo, o Governo Federal anunciou que zerou o PIS e Cofins do preço do diesel para conter a alta do combustível, diante da oscilação do mercado internacional. Procurada pelo Campo Grande News , a Petrobras informou que não houve qualquer alteração nas entregas de diesel feitas por suas refinarias e que o abastecimento ocorre dentro do planejamento. “A Petrobras esclarece que não atua no setor de distribuição. A Petrobras produz, refina e vende o combustível para as distribuidoras. As empresas de distribuição ou os sindicatos que as representam devem ser consultados sobre preço final de combustível nos postos. O preço final é composto por uma série de fatores”, afirmou a estatal em nota. Dia a dia - Em uma pesquisa rápida pela Capital, o maior preço encontrado pelo litro do diesel foi R$ 7,50. No posto Tereré, na Afonso Pena, o diesel está R$ 6,69, no posto Taurus, também na mesma avenida, o combustível é vendido por R$ 6,49. No Ipiranga, na entrada do Bairro Maria Aparecida Pedrossian, está R$ 7,50, no posto Locatelli, às margens da BR-262, antes da entrada do Bairro Noroeste, o produto está custando R$ 6,59. Por fim, no posto Caravágio, na BR-163, está custando R$ 6,84. O gerente do posto Caravágio, Julio Martins, explicou que os preços estão variando praticamente todos os dias. “O barril do petróleo varia e essas variações diárias manifestam a relação do valor do preço do combustível, então, toda vez que tem alta, a gente recebe essa alta. Vamos estar repassando aquilo que nós recebemos, nada mais do que isso, mas é variável”, destacou. Ainda de acordo com ele, vai ser necessário o consumidor se adaptar. “A reação dos motoristas é assustadora, vão ter que se adaptar e entender que nesse momento o mercado está instável e essa variação é reflexo do mercado internacional. Antes, subia uma vez por mês, e hoje a compra está variando todo dia”, finalizou. O caminhoneiro Rafael Gongora, de 39 anos, trabalha na profissão há 16 anos. Ele relatou que sentiu a diferença no preço do combustível desde a semana passada. “É uma diferença bem grande, que eu vi em várias cidades, em Campo Grande, Corumbá e Bela Vista. Antes, estava 5,68, agora, está 6,60, quase 1 real de diferença. Isso já é muito para a gente que abastece 100, 200 litros”, disse Segundo ele, o aumento não acompanha os outros serviços. “É complicado, porque o frete não aumenta. O diesel aumenta, a manutenção não é a mesma e o frete é o mesmo preço. Só o diesel está aumentando. O bolso não aguentou, não”, completou. Outro profissional da mesma área, Jurandir Ferreira, 64 anos, também observou a diferença, mas disse que quem paga é o patrão. “Quem tem que sentir é o meu patrão, porque eu não tenho caminhão. Aumentou, um absurdo da semana passada para cá”, pontuou. Ele diz que viaja por todo o Brasil e viu a situação se repetir por todos os estados. Instabilidade - De acordo com o economista Eugênio Pavão, o petróleo é considerado o “ouro negro” da economia global, e qualquer tensão geopolítica envolvendo grandes produtores impacta diretamente os preços. “A guerra no Oriente Médio traz enorme instabilidade para o mundo todo, pois lá estão grandes produtores, com volume elevado de estoques e muitos investimentos estrangeiros. O Brasil é um desses ‘trades’ e acaba sofrendo as consequências desse conflito”, explicou. Segundo o economista, no entanto, a instabilidade atual é causada mais pela expectativa e reação do mercado do que por um problema real de oferta. “Muitos agentes da cadeia produtiva agem de forma defensiva, aumentando preços nas distribuidoras, no transporte e no varejo. Isso faz com que o reajuste chegue ao consumidor final com um ‘efeito manada’, em que toda a cadeia, exceto as refinarias, inflacionem os preços e aproveitando o momento de crise internacional”, pontuou. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .