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Cerrado em Goiás guarda “tesouro climático” sob o solo, aponta estudo científico

Um estudo publicado no periódico científico New Phytologist revela que áreas úmidas do Cerrado, como veredas e campos úmidos, armazenam quantidades extraordinárias de carbono no solo — muito superiores às encontradas na vegetação da Floresta Amazônica. A pesquisa, liderada pela bióloga Larissa Verona, analisou solos no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no nordeste de Goiás.

Segundo os pesquisadores, essas áreas podem armazenar até 1.200 toneladas de carbono por hectare em camadas de solo que chegam a quatro metros de profundidade. A quantidade é cerca de oito vezes maior que o carbono presente na biomassa aérea da Floresta Amazônica.

A pesquisa foi desenvolvida durante o mestrado de Verona no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Veredas funcionam como cofres naturais de carbono

As veredas, paisagens típicas do Cerrado marcadas por solos encharcados, vegetação baixa e presença frequente de buritis, funcionam como verdadeiros reservatórios naturais de carbono.

Esses ambientes são classificados como turfeiras, um tipo de ecossistema alagado onde a decomposição da matéria orgânica ocorre muito lentamente devido à baixa presença de oxigênio. Como resultado, resíduos de plantas se acumulam no solo ao longo de milhares de anos.

De acordo com o estudo, o carbono encontrado nos solos analisados em Goiás pode ter se acumulado ao longo de aproximadamente 20 mil anos.

No mundo, turfeiras ocupam apenas cerca de 3% da superfície terrestre, mas armazenam mais de 30% de todo o carbono presente nos solos do planeta.

Pesquisa analisou áreas da Chapada dos Veadeiros

Para chegar aos resultados, os pesquisadores coletaram amostras de solo em sete áreas de veredas e campos úmidos dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, uma das regiões mais preservadas do Cerrado brasileiro.

O levantamento indica que esses ambientes podem desempenhar um papel crucial no equilíbrio climático global, já que grandes quantidades de carbono permanecem armazenadas no solo, evitando que sejam liberadas na atmosfera na forma de dióxido de carbono (CO₂).

Entretanto, os cientistas alertam que esse estoque natural é extremamente vulnerável.

Expansão agropecuária e mudanças climáticas ameaçam reservas naturais

Segundo os pesquisadores, mudanças no uso da terra, aumento da temperatura e redução das chuvas podem acelerar a decomposição da matéria orgânica presente no solo dessas áreas.

Isso poderia liberar grandes volumes de carbono armazenados ao longo de milênios.

Entre os principais fatores de risco apontados estão:

  • expansão da agropecuária sobre vegetação nativa
  • drenagem de áreas úmidas
  • aumento da temperatura média
  • alterações no regime de chuvas

Caso essas áreas sejam degradadas, os solos podem deixar de funcionar como sumidouros de carbono e passar a emitir gases de efeito estufa.

Cerrado pode ter papel estratégico no combate às mudanças climáticas

A descoberta reforça a importância do Cerrado para o equilíbrio climático. Apesar de muitas vezes receber menos atenção que a Amazônia, o bioma abriga reservatórios de carbono pouco conhecidos pela ciência.

Estima-se que veredas e campos úmidos ocupem cerca de 16,7 milhões de hectares no Cerrado, uma área equivalente a aproximadamente dois terços do estado de São Paulo.

Para os pesquisadores, proteger esses ambientes pode ser uma estratégia importante de mitigação das mudanças climáticas, evitando a liberação de carbono acumulado no solo ao longo de milhares de anos.

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