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Bloqueio do Estreito de Ormuz pressiona preço do petróleo e acende alerta para combustíveis

O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, após ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel, tem gerado preocupação no mercado internacional e acendido alerta para possíveis impactos na economia global.

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do petróleo no mundo, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente. A medida tem provocado uma das maiores interrupções no fornecimento da commodity já registradas, elevando o preço internacional do barril.

Diante do cenário de tensão envolvendo o Irã e países ocidentais, especialistas avaliam que qualquer restrição prolongada no fluxo de navios pode pressionar o preço do petróleo e gerar reflexos em diferentes setores da economia.

Ao Jornal Opção, o professor universitário e especialista em relações internacionais Augusto Narikawa afirmou que o impacto da crise vai além da região do Oriente Médio.“Dentro dessa perspectiva o aumento de preços é algo que já está acontecendo. Não só em Goiás, como no mundo todo. O Governo Federal já veio com uma proposta de tirar os impostos para tentar diminuir (os preços) antes que tenha uma nova paralisação dos caminhoneiros. Mas isso já é reflexo da crise no Oriente Médio”, disse.

Mesmo distante do foco do conflito, o Brasil também pode sentir os efeitos indiretos da crise. Segundo analistas, oscilações no preço internacional do petróleo tendem a influenciar o custo dos combustíveis, o que pode afetar cadeias logísticas e setores que dependem fortemente do transporte rodoviário.

Em estados do interior, como Goiás, o impacto pode chegar principalmente por meio do aumento no preço do diesel, combustível essencial para o transporte de mercadorias e para a atividade do agronegócio. “O Brasil, por mais que tenha 90% de autonomia em energia fóssil, nós seguimos o padrão internacional de preços do barril de petróleo. Então, se sobe lá fora, automaticamente nós vamos sofrer”, explicou.

O professor reforça que apesar dos possíveis impactos negativos provocados pela alta dos combustíveis, o cenário internacional também pode abrir oportunidades para o agronegócio brasileiro. Em momentos de instabilidade no fornecimento global de energia e commodities, países produtores de alimentos tendem a ganhar maior relevância no mercado internacional. 

Nesse contexto, o Brasil pode registrar aumento na demanda externa por produtos agrícolas, especialmente grãos e proteínas, ampliando as exportações do setor.

“Nós temos dois lados, se também o diesel sobe, vai subir também os preços internamente. Mas pode facilitar a ideia de exportação. Por que? Por que se uma crise acontece lá fora a tendência é você recorrer para a exportação. Neste caso, pode ser benéfico para o Brasil, mas, internamente, no transporte de alimentos pode haver impacto”, explicou. 

Diante desse cenário, as crises internacionais envolvendo petróleo costumam gerar efeitos em diferentes cadeias produtivas. Ao mesmo tempo em que elevam custos logísticos e de produção, também podem ampliar a demanda global por alimentos e commodities agrícolas produzidas por países exportadores, como o Brasil.

Governo federal discute retirada de impostos sobre combustíveis

Diante da alta nos preços internacionais do petróleo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 12, que os postos de gasolina exibam ao consumidor a redução de tributos federais sobre o diesel. O chefe do Executivo assinou uma medida provisória que zera o PIS e o Cofins do óleo diesel, estabelece o pagamento de subvenção a produtores e importadores e institui um imposto de exportação do combustível. 

O que é o Estreito de Ormuz e por que ele é tão importante

O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo localizado entre o Irã e Omã, conectando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Apesar de ter cerca de 50 quilômetros de largura em alguns pontos, apenas duas faixas estreitas são utilizadas para o tráfego de navios petroleiros.

A região é considerada uma das rotas energéticas mais estratégicas do planeta. Estima-se que cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo passe diariamente por esse estreito, transportado principalmente por navios que saem de grandes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e Qatar.

Por causa dessa dependência global, qualquer tensão militar, bloqueio ou ameaça à navegação na região costuma provocar fortes reações no mercado internacional de petróleo, elevando os preços da commodity e gerando impactos econômicos em diversos países.

Quando há risco de interrupção no fluxo de navios, investidores e governos temem uma redução na oferta mundial de petróleo — o que pode afetar diretamente o preço dos combustíveis, o transporte e até o custo de alimentos e produtos em diferentes partes do mundo.

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