Polícia aponta simulação de venda de empresa e direcionamento de licitações na Goinfra
A Polícia Civil de Goiás (PC-GO) aprofundou as investigações da Operação Nexo Oculto e identificou indícios robustos de fraude em processos licitatórios, falsidade documental e conflito de interesses envolvendo um ex-servidor temporário da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra). As apurações apontam que o investigado teria mantido, de forma oculta, o controle de uma empresa de engenharia beneficiada em certames públicos entre 2023 e 2025.
Em entrevista, o delegado Rodrigo Godim, responsável pelo caso, afirmou que a investigação exigiu atuação rápida para evitar a perda de provas, especialmente digitais. Segundo ele, a Polícia Civil só avançou para a fase ostensiva após obter autorização judicial para o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.
“Quanto mais o tempo passa, mais elementos se perdem. Equipamentos eletrônicos são trocados, documentos desaparecem. A atuação precisa ser célere”, explicou o delegado.
Venda simulada e vínculo oculto
De acordo com a investigação, o ex-servidor era proprietário de uma empresa de engenharia até 2021. Em 2022, seis meses após ingressar na Goinfra, a titularidade da empresa foi transferida para um terceiro, em uma operação que, para a polícia, teria sido apenas simulada.
Mesmo após a suposta venda, o investigado continuou recebendo valores expressivos da empresa — superiores a R$ 100 mil, segundo a Polícia Civil — cerca de um ano e meio depois da transferência. O pagamento não constava em contrato formal, o que reforça a suspeita de que o vínculo societário nunca foi, de fato, rompido.
“Não é normal alguém repassar valores dessa monta sem previsão contratual. Isso indica que a empresa nunca saiu do controle dele”, destacou Godim.
Documentos e dinheiro apreendidos
Durante o cumprimento de três mandados de busca e apreensão, os policiais localizaram, na residência do investigado, documentos empresariais datados de 2025, incluindo notas fiscais e comprovantes de pagamento, incompatíveis com a versão de que a empresa teria sido vendida em 2021. Também foram apreendidos R$ 10,5 mil em dinheiro em espécie, cuja origem não foi esclarecida pelo suspeito.
A empresa investigada não possui sede física própria, operando a partir de coworkings, o que, segundo a polícia, reforça o caráter de fachada utilizado no esquema.
Direcionamento de licitações
As apurações indicam que o ex-servidor utilizava sua posição interna para direcionar editais, criando critérios técnicos que favoreciam exclusivamente sua empresa ou restringindo a publicidade dos certames, esvaziando o caráter competitivo das licitações.
“Quando você direciona uma licitação, retira a concorrência. Um contrato que poderia custar R$ 3 milhões passa a custar R$ 4 ou R$ 5 milhões. É aí que está o prejuízo ao Estado”, afirmou o delegado.
Até o momento, foram identificados ao menos três procedimentos licitatórios suspeitos, realizados nos anos de 2023, 2024 e 2025.
Investigação continua
O vínculo do servidor com a Goinfra já foi encerrado, e o órgão instaurou Processo Administrativo Disciplinar (PAD). A Polícia Civil segue analisando o material apreendido, especialmente os dispositivos eletrônicos, para verificar a existência de outros crimes e possíveis novos envolvidos.
“Por enquanto, identificamos ao menos dois crimes. Mas a análise do material pode revelar uma estrutura criminosa maior”, concluiu Rodrigo Godim.
A Goinfra informou que mantém colaboração integral com as investigações e reforçou seu compromisso com a legalidade, a transparência e o correto uso dos recursos públicos.
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