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Falta de hospital-escola pesa em notas baixas de Medicina, avalia sindicato

A divulgação dos resultados do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), que apontou desempenho insatisfatório de faculdades particulares de Medicina em Mato Grosso do Sul, gerou preocupação entre representantes da classe médica. Para o Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos do Mato Grosso do Sul), as notas baixas não representam um problema pontual, mas revelam falhas estruturais na formação oferecida por algumas instituições privadas. De acordo com Valdir Shigueiro Siroma, diretor jurídico do SinMed, a avaliação do exame evidencia, principalmente, a carência de infraestrutura adequada para a formação médica, sobretudo na parte prática do curso. “Uma das causas dessas notas inadequadas do resultado do Enamed é mais por falta de infraestrutura, de estrutura como hospital-escola, para que os alunos possam ter o seu aprendizado na parte prática dentro dessas instituições”, afirmou. Segundo ele, além da estrutura física, o corpo docente também é um fator decisivo para a qualidade da formação. “É importante também relembrar que o corpo docente é fundamental para que os nossos futuros colegas médicos tenham uma boa formação e uma boa orientação”, completou. Ao avaliar especificamente o desempenho das faculdades particulares de Mato Grosso do Sul no Enamed, Siroma destacou que o exame tem abrangência nacional, mas que, no Estado, existe uma diferença clara entre instituições públicas e privadas. “O que a gente vê é que as escolas públicas, todas elas têm o hospital universitário. Então, para a formação de um bom profissional da área da saúde, necessita que tenha um hospital-escola para sua capacitação e ter uma boa formação”, explicou. Para o sindicato, uma formação médica abaixo do padrão de qualidade representa riscos diretos para a sociedade. O diretor jurídico alertou que todo novo profissional que ingressa no mercado de trabalho já traz, naturalmente, algum grau de risco, o que torna ainda mais necessária uma formação sólida. “Por isso é importante que as instituições médicas e as especialidades cobrem dos gestores públicos e dos gestores dos CIOs para que tenham uma boa infraestrutura, para que eles possam ter uma boa formação, porque ele estará cuidando da saúde e da vida, e a vida não tem valor quando ele comete um equívoco bastante prejudicial”, ressaltou. Questionado sobre os cursos de Medicina localizados na fronteira do Paraguai com o Brasil, que têm atraído um número crescente de estudantes brasileiros, Siroma demonstrou preocupação. Segundo ele, a ausência de critérios rigorosos de seleção nesses cursos representa um risco adicional para a formação médica. “O risco que nós temos hoje, dentro dos futuros colegas médicos que estão do lado da fronteira, é um risco muito grande. Em primeiro lugar, ele não passa por uma seleção seletiva. Basta ter o seu documento que faz com que possa entrar em uma faculdade sem nenhum critério”, afirmou. Para o dirigente sindical, o processo seletivo precisa ser rigoroso para garantir que o estudante escolha a Medicina por vocação. “Esse critério tem que ser bastante rígido para que o aluno possa saber que ele está fazendo aquele curso por vocação, não por amanhã e depois, por interesse financeiro”, concluiu. Resultados em MS - Os resultados do Enamed mostraram um contraste claro entre os cursos de Medicina avaliados em Mato Grosso do Sul. As instituições públicas obtiveram os melhores desempenhos no exame: a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) recebeu conceito 5 nos campi de Campo Grande e Três Lagoas, assim como a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), posicionando-se entre as instituições mais bem avaliadas do país. A UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) também apresentou resultado satisfatório, com conceito 4. Em contrapartida, duas faculdades particulares do Estado tiveram avaliação abaixo do padrão de qualidade estabelecido. O curso de Medicina da Uniderp Anhanguera, em Campo Grande, e o da Unicesumar, em Corumbá, receberam conceito 2 no Enamed, o que os coloca na faixa de desempenho insatisfatório e os sujeita a possíveis sanções do Ministério da Educação, como a redução do número de vagas ofertadas.

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