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Médico ortopedista explica aumento de casos de problemas na coluna em crianças e adolescentes

Nas últimas décadas, as dores na coluna deixaram de ser exclusividade de adultos e idosos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 70% da população mundial pode sofrer com dores na coluna, especialmente na região torácica. Desse total, entre 15% e 35% dos casos correspondem a crianças e adolescentes — percentual semelhante ao observado entre adultos e idosos.

Essa aproximação entre as faixas etárias é evidenciada pelo aumento na procura desse público por consultas com médicos ortopedistas, em busca de tratamento e alívio dos sintomas, como explica o médico ortopedista e especialista em coluna Murilo Daher. “Cada vez mais é comum encontrarmos crianças e adolescentes com dores na coluna em consultório. Isso é um fato”, afirma em entrevista ao Jornal Opção.

De acordo com Daher, que é membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia em Goiás (SBOT-GO), o fenômeno está diretamente relacionado a mudanças no comportamento das novas gerações. A chamada digitalização da infância e da juventude reduziu as brincadeiras ao ar livre, substituídas por atividades em celulares, videogames e computadores. “Não temos mais crianças e adolescentes tão ativos como eram na época dos nossos pais. Isso predispõe as pessoas a apresentarem sintomas na coluna cada vez mais cedo”, explica.

Diante desse cenário, o especialista reforça que a prática regular de atividade física funciona como uma espécie de proteção contra dores na coluna e outras complicações associadas ao sedentarismo.

Embora muitas dessas dores, provocadas por hábitos inadequados, possam ser facilmente tratadas, Daher alerta para a necessidade de atenção a quadros mais complexos, como deformidades estruturais e até doenças. Por isso, ele destaca a importância de identificar corretamente a origem da dor antes de iniciar qualquer tratamento.

“Nas crianças, temos três principais causas de procura por um médico de coluna. A primeira são as deformidades da coluna, como escoliose, hipercifose e lordose. A segunda são as dores relacionadas aos hábitos de vida. Por fim, há doenças, como tumores e infecções na coluna, que são mais comuns em crianças do que em adultos”, detalha.

Nos casos de deformidades, o médico recomenda a avaliação com um especialista para a elaboração de um plano de acompanhamento e tratamento, visando à redução dos sintomas e à melhoria da qualidade de vida. Ainda assim, ele reforça que a prevenção continua sendo o melhor caminho, e que a atividade física é o principal aliado nesse processo.

O ortopedista também desmistifica crenças populares relacionadas à postura, como a ideia de que manter a coluna rigidamente ereta previne problemas. Segundo ele, esse tipo de orientação excessiva pode gerar mais prejuízos do que benefícios, ao aumentar a ansiedade em crianças e adolescentes.

Já em situações que envolvem doenças mais graves, como infecções e tumores, a atenção deve ser redobrada e imediata. Daher explica quais sinais devem acender o alerta para pais e responsáveis. “Existem três sinais principais: quando a dor acorda o paciente à noite, quando vem acompanhada de outros sintomas, como febre ou perda de peso, ou quando irradia para outras partes do corpo, como braços, pernas ou pescoço. Nesses casos, é fundamental buscar avaliação médica o quanto antes”, conclui.

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