Prematura de 32 semanas é 1ª a receber vacina contra bronquiolite na Capital
A pequena Melina nasceu prematura, às 32 semanas de gestação. Não deu tempo da mãe, a autônoma Paula Cristina de Paula, 23 anos, receber a vacina contra o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), que causa bronquiolite e esteve relacionado a 594 internações em Campo Grande no ano passado, segundo dados da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Hoje (2), com 36 semanas, ela foi a primeira bebê de Campo Grande a ser imunizada com a dose fornecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para prematuros e recém-nascidos com comorbidades como fibrose cística e cardiopatia, por exemplo, além de deficiências como a síndrome de down. A neném chorou forte nos primeiros segundos, mas depois se acalmou. A aplicação foi no colo da mãe, aconchego desde que ela estava na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Maternidade Cândido Mariano. Atualmente, Melina está numa unidade intermediária. O choro da filha significou alívio para a mãe. "Estou muito feliz", disse ela, tranquila. Paula também soube que o número de casos de bronquiolite é expressivo e estava preocupada. No caso das crianças com comorbidades, uma segunda dose será aplicada após 24 semanas, segundo explica a enfermeira Maristela Chamorro, do setor de imunização da SES (Secretaria Estadual de Saúde). A ginecologista, obstetra e diretora técnica do hospital, Karina Zucareli, conta que houve um caso de bronquiolite que precisou ser isolado dentro do local em 2025. "A proteção garante que o organismo do bebê tenha mais condições de combater o vírus", conscientiza. Ela também afirma que a aceitação das famílias com relação à vacinação dos pequenos costuma ser de 99% na instituição. Quem não recebeu - Bebês com comorbidades e prematuros que nasceram entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, com até 36 semanas e seis dias, têm o direito de serem vacinados também. Os responsáveis devem procurar a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) para agendar a aplicação. Maristela esclarece ainda que os bebês podem ser vacinados mesmo que a mãe já tenha se imunizado contra o VSR durante a gestação. Será um reforço na proteção dos que têm a saúde mais vulnerável. Alto custo - Na rede privada, uma única dose custa de R$ 1,5 mil e R$ 3,5 mil. Além de proteger contra a bronquiolite, a vacina possui um anticorpo que atua contra pneumonias, acrescenta a enfermeira e coordenadora de vacinas da Maternidade Cândido Mariano, Keila Lacerda. "É muito importante a oferta dessa vacina, que tem um custo muito alto. A gente teve até uma crise de leitos em Campo Grande no ano passado devido ao surto de bronquiolite", completou a profissional de saúde. Reação à vacina - Dor local e febre são algumas das reações possíveis, e elas não costumam ser intensas. Os bebês vacinados serão monitorados com maior atenção nos primeiros trinta minutos pela equipe. Na Cândido Mariano serão aplicadas inicialmente 20 doses disponíveis, toda quinta-feira. A quantidade será ampliada conforme o número de nascimentos subir. Para gestantes - As doses fornecidas pelo SUS para gestantes têm a mesma finalidade, mas são diferentes. Na Capital, elas começaram a ser aplicadas em dezembro do ano passado. A vacina pode ser procurada em qualquer unidade de saúde, a partir da 28ª semana de gestação.