Na trégua das chuvas, tuiuiús aproveitam para pescar em vazante no Pantanal
Uma vazante cheia às margens da BR-262, que corta o Pantanal de Mato Grosso do Sul, foi o local escolhido para o almoço de, pelo menos, 100 tuiuiús e cabeças-secas na última segunda-feira (2). Aquele foi o segundo de uma sequência de quatro dias chuvosos na região. As aves de perna longa foram vistas de longe pelo fotógrafo de natureza, Wilmar Carrilho. Ele filmou a cena com o zoom das lentes durante uma viagem a trabalho até Corumbá. "Fui observando as margens da rodovia. Tinha passado há uns dois, três meses atrás e não havia aves nesse mesmo local. Foi uma sensação muito boa ver nosso Pantanal, de novo, cheio de vida", diz. Os tuiuiús são símbolo do bioma sul-mato-grossense. As cabeças-secas, que os acompanham na caça, são aves da mesma família. Ambos se alimentam de animais aquáticos, sendo peixes a base da dieta. A pesca em grupo foi flagrada entre Miranda e Corumbá, numa trégua entre as chuvas. Em Miranda, o volume acumulado em três dias (de 2 a 4 de fevereiro) havia superado em 7% toda a precipitação esperada para o mês, segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima). Alerta - Os próximos meses têm risco de retorno de graves incêndios no Pantanal. Isso porque, também de acordo com o Cemtec, a chuva de janeiro não atingiu a média e estão previstos períodos de temperaturas altas no bioma. A soma dos fatores acaba favorável para o fogo se alastrar, seja ele criminoso ou de causas naturais. Cenários bastante tristes foram vistos em 2020 e em 2024, com animais mortos e o verde virando cinza. O que vai deixar o Pantanal mais quente e tem provocado a irregularidade de chuvas é o El Niño, que está ativo no Estado.