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Não é retórica; é experiência e verdade: Kassab, protagonismo do centro e concertação entre PSD e MDB

Vilmar Rocha

Especial para o Jornal Opção

A história política brasileira mostra que momentos de forte tensão econômica, política e institucional costumam abrir espaço para formulações capazes de superar barreiras ideológicas e radicalizações. A eleição presidencial de 1994 é um exemplo emblemático desse fenômeno e, três décadas depois, a articulação conduzida por Gilberto Kassab com vistas a 2026 sugere que o centro político volta a buscar protagonismo em meio à polarização.

Em 1994, a aliança entre PSDB e PFL representou mais do que um acordo eleitoral: foi uma concertação estratégica entre dois partidos de matrizes distintas; um de inspiração social-democrata, outro liberal. Oficializada na coligação “União, Trabalho e Progresso”, a parceria superou resistências históricas dentro do próprio PSDB, que via com desconfiança a aproximação com setores conservadores. No entanto, o Plano Real exigia estabilidade política, e o governo Fernando Henrique Cardoso necessitava do apoio do PFL, então majoritário no Congresso, para aprovar reformas estruturais.

Para o PFL, a aliança simbolizava modernidade e acesso a um projeto econômico capaz de controlar a inflação e reorganizar o Estado. Para o PSDB, assegurava uma base parlamentar robusta e presença nacional. O resultado foi decisivo: o projeto foi vitorioso nas urnas e legitimado pela sociedade, com vitórias em primeiro turno nas eleições de 1994 e 1998. O centro ampliado venceu porque conseguiu dialogar com diferentes segmentos do eleitorado e oferecer uma alternativa concreta ao discurso mais ideológico.

Urna eletrônica: o voto é a essência da democracia | Foto: Antonio Augusto/TSE

Em 2026, o Brasil vive outra encruzilhada. A polarização entre lulismo e bolsonarismo, embora tenha mobilizado paixões políticas nos últimos anos, também produziu fadiga no eleitorado. Nesse cenário, Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, busca reeditar, com novas características, a lógica de 1994: organizar o centro como força política viável, competitiva e capaz de romper a dicotomia dos extremos.

Aplaudo a iniciativa porque sou testemunha do êxito de grandes concertações políticas que romperam paradigmas considerados intransponíveis no passado. Ao lado de Jorge Bornhausen e Marco Maciel, participei da formação da Frente Liberal, que se uniu ao MDB de Tancredo Neves para conduzir a transição política na década de 1980. Anos depois, como fundador do PFL e presidente do Instituto Tancredo Neves, participei das formulações que deram origem à aliança entre PFL e PSDB em 1994.

Experiências internacionais também reforçam o sucesso de concertações capazes de ampliar o poder das forças democráticas. Cito o Pacto de Moncloa, marco da redemocratização espanhola de 1977, firmado entre partidos políticos, sindicatos e empresários. No Chile, o Partido Socialista (PS) e a Democracia Cristã (PDC) formaram a Concertación, que governou o país com foco na reconstrução democrática após a ditadura.

Hoje, o PSD tenta construir essa alternativa a partir de poder real: governadores eleitos, estrutura partidária sólida e presença nacional. Esse arcabouço pode ser fortalecido por uma nova concertação, agora entre PSD e MDB (presidido pelo deputado federal Baleia Rossi), dois grandes partidos de alcance nacional e com forte viés democrático.

A história não se repete de forma idêntica, mas rima. Se, em 1994, a união entre PSDB e PFL foi essencial para estabilizar o país e superar a polarização daquele momento, em 2026 o PSD busca desempenhar papel semelhante: ser o eixo de equilíbrio em um sistema político exausto dos extremos.

Vilmar Rocha, professor da Faculdade de Direito da UFG, deputado Federal 1993/2015, fundador do PSD em 2011, presidente do PSD de Goiás 2011/2023, é colaborador do Jornal Opção.

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