Sol aparece, mas lama da chuva segue afetando moradores da Vila Romana
No segundo dia de sol em Campo Grande, a Vila Romana ainda tem cara de tempo chuvoso. Com muita lama e cratera, as ruas Otávio Augusto e Cláudio Augusto ainda estão intransitáveis e o ônibus do transporte coletivo teve que mudar de rota depois do veículo ter ficado atolado no último domingo (1º). A Vila Romana foi criada há 21 anos e os moradores reclamam das ruas sem asfalto. Em dia de chuva, vira lama; em dia de sol, o poeirão sobe e incomoda. No domingo (1º), ônibus da Linha Núcleo Industrial/Júlio de Castilho ficou atolado de manhã na Rua Otávio Augusto e somente foi rebocado à noite. Depois disso, o itinerário mudou para a rua acima. A dona de casa Yasmin Natasha, 24 anos, diz que, em dia de chuva, não passa carro nem pedestre na rua. “Nem o lixeiro passa. Às vezes ficam semanas sem pegar o lixo e a gente precisa levar tudo para a rua de cima”, relata. O barro fica liso e quem se arrisca cai, como aconteceu com motociclista, segundo ela. Yasmin diz que a rua já apresentava problemas antes, mas que a situação se agravou após as obras de esgoto. “Sempre foi ruim, mas não nesse nível. Depois das obras ficou pior”, afirma. Na esquina, na Rua Cláudio Augusto, a dona de casa Patrícia Colman Carvalho, de 46 anos, relata cenário semelhante. Segundo ela, em dias de chuva, o isolamento é quase total. “Não passa ninguém”, listando motorista de aplicativo, ônibus, carro ou bicicleta. “Para tentar sair de casa, a gente coloca sacolinha no pé e pega outra rua para conseguir chegar a um mercado ou a um ponto de ônibus”, diz. A casa de Patrícia não é murada e o quintal, segundo ela, acaba funcionando como passagem em dias de chuva. “O quintal vira rua. A gente abre o portão para motoqueiro passar por dentro. Tem que ajudar, não dá para deixar do jeito que está”, relata. No momento, segundo ela, a situação está menos crítica porque as crianças estão de férias, mas a preocupação é com o retorno das aulas. “Quando tiver que levar criança para a escola, vai ser mais complicado”, diz. Mesmo nos dias de sol, os problemas continuam. A lama dá lugar à poeira, que invade as casas. “No dia de sol você até consegue respirar um pouco, mas a poeira não deixa nem estender roupa. A casa não fica limpa. Quando não é poeira, é lama”, afirma. A Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), informa que as obras no local encontram-se na fase de execução da drenagem. Trata-se de uma etapa que pode sofrer interferências em períodos de chuva, especialmente diante da recorrência de precipitações e do solo encharcado, o que acaba gerando transtornos temporários. A secretaria esclarece que, paralelamente, a concessionária Águas Guariroba está realizando a implantação da rede de esgoto na região. Por esse motivo, a continuidade das etapas seguintes da obra depende da conclusão desses serviços. Essa fase ainda está em execução. A Sisep destaca que, em projetos que envolvem drenagem e pavimentação, a concessionária é previamente comunicada para que execute primeiro as redes de água e esgoto. O objetivo é evitar situações em que o asfalto recém-executado precise ser cortado posteriormente para implantação ou adequação das redes, o que poderia comprometer a durabilidade da via.