Na rede estadual, volta às aulas já desperta ansiedade com vestibular e Enem
Além da ansiedade de rever os amigos feitos em anos anteriores e conhecer os novos colegas e professores, esta segunda-feira (19) de início das aulas nas escolas da Rede Estadual de Mato Grosso do Sul traz o sentimento de preocupação com um ano que será decisivo para quem está de saída do Ensino Básico. Vestibulares, Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e avaliações seriadas (provas aplicadas ao fim de cada ano do Ensino Médio) já martelam na cabeça dos estudantes mais velhos da rede. O ano representa fechamento de uma etapa para eles, mas também pede esforço extra para serem aprovados em uma universidade. Isadora Correia, 16 anos, está começando o 3º ano na Escola Estadual Maestro Frederico Liebermann, no Bairro Monte Castelo, em Campo Grande. Diz já estar nervosa e sabe que essa é a situação de outros adolescentes na mesma fase, de tanto que são bombardeados com perguntas sobre os planos para o Ensino Superior. "Estou um pouco nervosa porque é o ano em que muitas pessoas vêm 'em cima' falando sobre vestibular. Mas eu acredito que vai dar certo e vai ser tranquilo. A escola é bem boa e tem professores muito bons", afirma a estudante, com confiança. Anny Caroline Ferreira, 15 anos, foi para o primeiro dia de aula do 2º ano na mesma escola que Isadora, mas com a ansiedade de quem está antecipando a preparação para a época de avaliações. No fim deste ano, ela fará Enem como treineira, fora a segunda prova do passaporte para tentar entrar na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Tudo isso se mistura com a saudade dos amigos com quem não pôde conversar durante as férias escolares porque o celular estragou. "Eu não estava falando com ninguém porque não tinha uma forma de contato. É muito bom voltar e vê-los", disse a adolescente. Alunos novos - É tudo novo para Arthur Rufino Esmaile Santos, 15 anos, que começa o Ensino Médio também na escola do Monte Castelo. O promotor de vendas Marcelo Esmaile Santos, 40 anos, acompanhou o filho no primeiro dia. "A expectativa é boa para mais um ciclo que se inicia. Ele saiu da pré-adolescência para a fase pré-adulta, agora é a reta final dos estudos básicos. Estamos pensando positivo de que vai dar tudo certo neste ano e nos próximos anos que vierem pela frente. Pelo que falaram, aqui é de qualidade e vai ser tudo tranquilo", diz o pai. Outra aluna nova na instituição é Iasmin Taiane Araújo, 17 anos, que começa o 2º ano hoje. Ela morava em Rio Brilhante e mudou-se para Campo Grande, onde parte da família já reside. Ela irá estudar na mesma escola que o tio, mais novo que ela, de 15 anos. A companhia de uma pessoa da família dá mais segurança, mas a ansiedade não deixa de bater forte. São muitas mudanças. "Estou ansiosa, com medo desse primeiro dia de aula", fala. Servidores da instituição distribuíram presentes e deram acolhimento na portaria para aliviar um pouco o nervosismo dos alunos mais apreensivos. Proteção aos animais - A Escola Estadual Maestro Frederico Liebermann inicia o ano com uma campanha que reforça o direito dos animais e combate os maus-tratos, inspirada na repercussão do caso do Orelha, cãozinho comunitário de Florianópolis (SC) morto de forma cruel. O secretário estadual de Educação, Helio Daher, esteve na instituição e comentou sobre a iniciativa, que é replicada em todas as escolas da rede estadual em parceria com o Ministério Público Estadual. "A ideia é inserir no currículo das escolas a discussão permanente sobre o combate aos maus-tratos com os animais. A morte do Orelha fez com que o Brasil refletisse mais sobre isso. Não adianta a gente cobrar só em casa, acho que a gente tem uma parcela de responsabilidade nas escolas. Essa discussão vai chegar às escolas de maneira perene", declarou. Na escola do Monte Castelo, cartilhas educativas serão entregues ao longo do semestre e os professores de todas as matérias vão puxar discussões sobre o tema. Em atividades práticas nas aulas, os alunos irão ainda aprender a utilizar restos dos alimentos para fabricação de ração para cães cuidados por protetores e ONGs (Organizações não Governamentais). "A gente está planejando uma série de ações para dar um suporte legal para quem cuida dos animais", finaliza Daher.