World News in Portuguese

Documentário retrata Campo Grande sobre os olhos de Roberto Higa

Após um ano de produção, o documentário “A Campo Grande de Roberto Higa” foi lançado na noite desta sexta-feira (13). O curta-metragem apresenta a Capital sob a ótica do fotojornalista que registrou fatos históricos e momentos marcantes de Campo Grande, de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul ao longo de seis décadas. Com 30 minutos de duração, o documentário foi produzido ao longo de um ano pelos diretores Marineti Pinheiro e Israel Miranda e mostra um passeio afetivo e histórico pela cidade que viu nascer e crescer o fotógrafo Roberto Suei Higa, hoje com 74 anos. Segundo Marineti a ideia do filme nasceu da admiração pelo trabalho do fotógrafo. “Eu sempre fui muito apaixonada pelo trabalho do Higa, sempre fui muito fã dele. Também sou uma memorialista assumida, amo produções que trabalham com acervo e personagens históricos”, pontua. A cineasta explica ainda que o documentário não é apenas uma biografia tradicional. “É a Campo Grande desse fotógrafo. Embora traga aspectos da história familiar e da trajetória profissional, o foco está na relação dele com a cidade que ele nunca deixou de fotografar”, destaca. A produção do filme coincidiu com um momento delicado da vida do fotógrafo. Logo após o início do projeto, Higa descobriu um câncer na garganta. Por isso, parte das gravações foi feita durante o tratamento, incluindo sessões de quimioterapia. “Ele me disse que não poderia morrer e deixar essa dívida comigo. Em vários momentos, as filmagens precisaram ser interrompidas para respeitar o processo de recuperação. Inclusive, em algumas cenas, ele aparece com sonda nasal”, afirma Marineti. Para Higa, o documentário representa um reconhecimento raro e em vida. “Fizeram uma coisa que ainda não tinha feito porque essa é a minha história. Eu só tenho a agradecer”, comentou. Durante as gravações, ele revisitou memórias da infância na região da Calógeras com a Maracaju, área próxima à antiga estação ferroviária e rodoviária, onde começou a trabalhar ainda menino, engraxando sapatos e circulando pelo centro que concentrava o comércio, da cidade. “Ali era meu reduto, eu fui criado ali”, relembra. As histórias detalham uma Campo Grande que já não existe mais, mas que segue viva em suas imagens. Filho de imigrantes japoneses, Higa começou a carreira no fim da década de 1960, no extinto Diário da Serra. Em 1972, participou, ao lado de Almir Vilela Rolland, da primeira Exposição de Fotojornalismo de Campo Grande. Desde então, trabalhou em diversos veículos regionais e nacionais, além de agências de publicidade. O acervo pessoal, considerado um dos mais completos do Estado, reúne registros da divisão de Mato Grosso, da criação de Mato Grosso do Sul, da chegada das universidades, do crescimento urbano e das transformações sociais. Ao longo das décadas, Higa sempre usou a fotografia como ferramenta de denúncia. Em 1980, a exposição “O Povo do Sorriso” chamou atenção para a situação das comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. Mesmo com todo o reconhecimento, ele mantém a simplicidade e não abandonou a câmera. “Hoje eu fotografo gente na rua. Pessoas no dia a dia. Com isso retrato detalhes da roupa, cabelo, nos gestos que revelam o espírito de cada época”, conta. Sobre a cidade que ajudou a documentar, Higa demonstra gratidão. “Olha, eu acho Campo Grande uma cidade maravilhosa. E eu sou um partícipe desse progresso. Eu lembro de quando só tinham 80 mil habitantes e hoje é essa metrópole. Campo Grande te oferece tudo, te dá tudo”, finaliza. Acompanhe o  Lado B  no Instagram @ladobcgoficial , Facebook e  Twitter . Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp  (67) 99669-9563 (chame aqui) . Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News .  

Читайте на сайте