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Primeira noite de desfile mistura homenagem, resistência e fantasia

O primeiro dia de desfile das escolas de samba de Campo Grande reuniu cerca de 15 mil pessoas entre foliões, organizadores e carnavalescos, conforme a GCM (Guarda Civil Metropolitana). Nesta segunda-feira (16), entraram na passarela Herdeiros do Samba, Igrejinha, Unidos da Vila Carvalho e Cruzeiro.  A escola de samba mirim Herdeiros do Samba foi responsável por abrir as apresentações. Neste ano, a associação recreativa escolheu homenagear a ACIESP, organização sem fins lucrativos que acolhe mulheres vítimas de violência, além de crianças e idosos. Cada ala da bateria destacou uma característica da entidade, como acolhimento, capacitação, solidariedade, proteção, paz, carinho e esperança. “Arauto da Paz, violência nunca mais”, diz trecho do samba-enredo. Para a apresentação, a escola levou bailarinas e capoeiristas à avenida. Três carros alegóricos também compuseram o desfile. No entanto, o último, que carregava a presidente e fundadora da ACIESP, Ceurecy Fátima, apresentou falha. Apesar do momento de tensão, os integrantes seguiram firmes e conseguiram concluir o percurso, mesmo após o carro perder as quatro rodas. O esforço foi aplaudido pelo público a cada avanço da alegoria. “Foi a primeira vez que um carro quebra, e olha que é um carro novo, recém-feito. Acho que não escolhemos bem o material. Mas isso acontece. Se acontece com as grandes escolas do Rio de Janeiro e São Paulo, por que não aconteceria aqui, ainda mais com a escola mirim?”, comentou Fátima de Luz, fundadora da Herdeiros do Samba. Mesmo com o imprevisto, ela afirmou ter ficado orgulhosa da apresentação. “Estou muito orgulhosa, muito contente. Foi nos tropeços, mas vencemos os desafios”, disse. Ao Campo Grande News, Ceurecy classificou a homenagem como gratificante. “Receber essa homenagem é muito gratificante. Queríamos que não houvesse violência. Estamos aqui para lutar pelas mulheres que já foram e pelas que ainda estão vivas. Nós queremos viver, não queremos morrer.” Igrejinha: a mulher que virou onça O Grêmio Recreativo Escola de Samba Igrejinha foi a primeira competidora da noite. A escola levou para a avenida o enredo “Soraya – A Mulher que Vira Onça”, em homenagem à senadora Soraya Thronicke. Segundo a agremiação, a onça-pintada foi escolhida como símbolo de coragem, resistência, estratégia e presença. O primeiro carro alegórico trouxe uma grande onça guiada por tuiuiús, representando as raízes pantaneiras. Uma vitória-régia reservou surpresa ao público: a flor se abria em momentos específicos, revelando uma mulher capaz de “virar onça”. A homenageada acompanhou o desfile da plateia. O segundo carro representou o templo da Justiça e o terceiro simbolizou Brasília. Neste ano, a escola contou com apoio de equipes de Parintins (AM) na confecção das alegorias e com a participação especial da rainha de bateria da Escola de Samba Vitória Régia de Manaus (AM), Ursula Freitas. “A Igrejinha sempre teve o sonho de melhorar os carros. Conseguimos amigos de Parintins que vieram nos ajudar, junto com nossos profissionais”, afirmou a presidente Mariza Fontoura OCampos. Ao fim da apresentação, ela resumiu o sentimento como felicidade e emoção. “O resultado vai ser ótimo para a gente. Independente de como for, já mostramos nosso Carnaval.” Vila Carvalho: o canto da arara A Unidos da Vila Carvalho levou para a avenida a arara-azul, símbolo da escola, representando o elo entre o Pantanal e a Amazônia, simbolizada pela arara-vermelha. A proposta foi reforçar o chamado das araras e da Mãe-Terra pela defesa da vida. O primeiro setor representou o despertar e o equilíbrio do Pantanal, com figuras como o Velho do Rio. O casal de mestre-sala e porta-bandeira simbolizou o sol e o eclipse, em alerta à natureza. O segundo setor trouxe a agonia da Amazônia ferida. Nele, as araras azul e vermelha se encontram em um só ritmo. Passistas representaram guerreiras da floresta, acompanhadas pela ala do fogo, da devastação e do garimpo. O terceiro setor abordou resistência e união. A ala do índio simbolizou os guardiões ancestrais, enquanto o casal representou o pacto de Gaia. O desfile foi encerrado com a ala da paz e as águas da purificação. “É hora da arara voar forte em defesa da vida”, cantava a bateria. “Foi um desfile leve, preparado há meses. O resultado foi além do esperado. Estou feliz com a nossa comunidade, que está sempre com a gente”, comentou o presidente Wlauber Castro Carvalho. Cruzeiro: contos de fadas e pirlimpimpim Encerrando a primeira noite, a Unidos do Cruzeiro levou um enredo que convidou adultos e crianças a mergulhar no universo dos contos de fadas. A comissão de frente foi inspirada no Sítio do Picapau Amarelo. A escola foi guiada pela boneca Emília, acompanhada de Dona Benta e Tio Anastácio. A primeira ala trouxe o Visconde de Sabugosa; a seguinte, personagens como a Carochinha. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira representou o reino das águas. A rainha de bateria simbolizou a Branca de Neve, enquanto a bateria representava os sete anões. Fadas, Rainha de Copas, Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau, Elsa, Bela Adormecida, Dorothy e Gato de Botas estiveram entre os personagens. “Não tenha medo, vovó Narizinho, Visconde, Pedrinho, confie em mim. Vem pro nosso mundo, apertem os cintos. Vem nessa viagem com pirlimpimpim”, diz trecho do samba-enredo. O presidente Luiz Alex Guedes avaliou o desfile como simples, mas fiel ao enredo proposto. “É um desfile leve e sem luxo. Não nos preocupamos com luxo, e sim em contar a história infantil.” Para que a apresentação acontecesse, a equipe trabalhou até as 19h para finalizar as alegorias. “O subsídio chegou um pouco tarde, tivemos que restringir. Como recebemos pouco, é difícil”, afirmou. Última a entrar na avenida, a Cruzeiro encontrou arquibancadas mais vazias, mas recebeu aplausos de quem permaneceu até o fim. “É uma escola de 43 anos. O fundador era muito conhecido e minha mãe foi embaixadora do samba. A comunidade nos esperou e desfilou com a gente”, finalizou. Continua -  Mais desfiles estão programados. Nesta terça-feira (17), a partir das 19h, entram na Avenida Deixa Falar, com o tema “Águas”; Cinderela Tradição do José Abrão, com “Diásporas – Por um futuro que não repita o passado”; e Os Catedráticos do Samba, com “De volta ao passado – Os Catedráticos do Samba em um flashback de emoções”.

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