World News in Portuguese

Ala conservadora nacional amplia defesa de Gustavo Gayer e questiona articulações de Wilder Morais

O PL de Goiás está dividido. De um lado, o deputado federal Gustavo Gayer, da direita conservadora, e, de outro, o senador Wilder Morais, da direita festiva e dos negócios.

A crise local chegou ao plano nacional e a ala conservadora no país defende Gustavo Gayer — que planeja disputar mandato de senador numa aliança com o pré-candidato a governador pelo MDB, Daniel Vilela.

Entre os membros do exército pró-Gustavo Gayer está uma das principais estrelas do PL nacional, o deputado federal Nikolas Ferreira, hoje o político que mais “assusta” o governo do presidente Lula da Silva, do PT.

Wilder de Morais e Vanderlan Cardoso: parceiros | Foto: divulgação

Na prática, o conflito se dá entre a ala efetivamente bolsonarista, a de Gustavo Gayer, e a ala valdemarista. Quer dizer, há um enfrentamento entre os políticos que são ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e os que são associados ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Por que fortalecer o neopetista Vanderlan Cardoso?

Os conservadores sugerem que, se perder para governador, Wilder Morais pode contribuir para um debacle geral do partido em Goiás. Na hipótese de vencer, a mais improvável, sua vaga de senador será repassada para a suplente, Izaura Cardoso.

Izaura Cardoso é mulher do senador Vanderlan Cardoso, que apoia o governo de Lula da Silva. Chega a ser visto como uma espécie de “petista honorário”. Na esplanada dos ministérios, dos quais não sai, é conhecido como “o senador vermelho de Goiás e do PSD”. “Conta-se que Vanderlan opera para puxar evangélicos para Lula da Silva”, sublinha um integrante do PL.

Adriana Accorsi e Vanderlan Cardoso: bons companheiros reds | Foto: Sérgio Rocha/Alego

Vanderlan Cardoso trata Gustavo Gayer não como adversário político, e sim como inimigo pessoal. Chegou a pedir que o Supremo Tribunal Federal mandasse prender o deputado ligado aos Bolsonaros.

Alianças com grupos que não são conservadores, além de desvios éticos, sugerem táticas e estratégias incoerentes.

Eleger Flávio e Senado conservador

Eleger Flávio Bolsonaro presidente da República e uma bancada ampla e consistente no Senado é o objetivo dos Bolsonaros, notadamente de Jair Bolsonaro. O grupo de Gustavo Gayer segue fielmente este projeto nacional e, por isso, se apresentou como pré-candidato a senador por Goiás.

Flávio Bolsonaro: elegê-lo presidente é prioridade | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A ala conservadora avalia que o Senado será peça decisiva nas lutas institucionais e, por isso, deve ser ocupado por políticos realmente identificados, de maneira clara e sem tergiversações, com as pautas da direita.

Vice de Wilder sugere incoerência

A escolha de Ana Paula Rezende para vice desagradou a ala conservadora. Wilder Morais, até pouco tempo, dizia que o MDB era um partido com perfil esquerdista. Agora, escolheu Ana Paula Rezende para sua vice.

Como se sabe, Iris Rezende era um dos principais aliados do PT de Lula da Silva em Goiás. Na disputa da Prefeitura de Goiânia, ele colocou Paulo Garcia, do PT, na sua vice. Na eleição seguinte, apoiou Paulo Garcia para prefeito. Iris Rezende e Ana Paula Rezende fizeram uma campanha intransigente em defesa do petista.

Iris Rezende e o petista Paulo Garcia: a história não pode ser escondida | Foto: Divulgação

Paulo Garcia chegou a dizer que considerava Iris Rezende como “pai” e Ana Paula como “irmã”. No enterro de Paulo Garcia, em 2017, Iris Rezende compareceu e chorou como se fosse um familiar (há uma fotografia na internet).

A cúpula nacional está entendendo que o discurso de Wilder Morais é um e a prática é outra. “A aproximação com setores associados ao PT fragiliza a identidade ideológica do PL em Goiás”, afirma um líder do PL.

Silêncio estratégico de Gustavo Gayer

Com Wilder Morais somando equívocos, dividindo o PL — a maioria dos prefeitos não apoia sua candidatura —, Gustavo Gayer se mantém cauteloso. “Porque aguarda definições mais amplas. Qualquer decisão precisa ser alinhada ao projeto nacional da direita, que é eleger Flávio Bolsonaro a presidente e formatar um Senado conservador”, assinala um líder do PL.

Entre os apoiadores nacionais de Gustavo Gayer está Nikolas Ferreira, deputado federal por Minas Gerais e, seguramente, um dos líderes mais expressivos da direita nacional.

O momento é decisivo para o PL de Goiás. “A condução das articulações para 2026 poderá consolidar a unidade conservadora ou aprofundar uma reconfiguração interna com impactos diretos no campo da direita”, afirma o líder liberal.

A encruzilhada em Goiás é a seguinte: o PL fica com a ala dos negócios ou com a ala verdadeiramente conservadora e que tem e respeita princípios?

O post Ala conservadora nacional amplia defesa de Gustavo Gayer e questiona articulações de Wilder Morais apareceu primeiro em Jornal Opção.

Читайте на сайте