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Varanda lotada de plantas vira até “ponto turístico” no bairro

Sirlene Fonseca Martins, de 63 anos,  decidiu que a casa dela não seria cinza e, há mais de 10 anos, mantém uma florestinha na varanda, que anos depois se estendeu para a calçada. Quem passa pela rua dela, no bairro que combina com o cenário, Mata do Jacinto, não consegue ignorar tantas flores na entrada e morre de curiosidade para ver lá dentro quando o portão da garagem está aberto. O jardim nada comum dela é a maior alegria da vida e, para cuidar dele, Sirlene até madruga. Ela conta que tem pessoas que param o carro, descem, tiram fotos e imploram para ver o interior. Sem medo, ela as deixa ver e se sente realizada com os elogios. Acredita que quem gosta de planta tem "Alma boa". Muitos perguntam o segredo para manter tudo isso e ela diz ser o amor pelos pássaros e pelas próprias plantas. Sirlene fez o projeto para que eles pudessem se sentir em casa. Por lá tem mais de uma casinha para eles, sempre com banana e petiscos. A vista ali é acompanhada de um beija-flor e pardais que rondam a florestinha. “Eu acho que a gente tem que deixar o mundo mais bonito. Se cada um fizer um pouquinho no seu pedaço a rua ficava toda colorida”. O gosto pelas plantas sempre existiu, mas era reprimido durante a infância. Quando criança, plantava escondido, mas o pai cortava e a mãe não gostava. “Somos em 12 irmãos e só eu gosto.” Depois vieram os anos de correria. Sirlene já foi servente de pedreiro, trabalhou 21 anos como cuidadora e hoje é mecânica de máquinas pesadas agrícolas, profissão que aprendeu com o marido. O trabalho parece ser totalmente o oposto da delicadeza de cuidar das plantas. “Antes eu não tinha muito tempo para cuidar e fui adiando. Aí, quando foi surgindo mais tempo, mais condição de comprar as mudas, mais flores, mais plantas, eu fui me dedicando cada vez mais. E amando cada vez mais. E eu acho que é bom, embeleza e fica um quintal fresquinho, embora eu não tenha muito quintal, tenho só esse pedaço, mas aqui eu faço o que eu posso. Aqui tenho samambaia, jiboia, rosa-do-deserto”. Antes da casa, morou em apartamento e já dava um jeito de espremer um vasinho aqui, outro ali. Há 16 anos mudou para a casa atual. E foi ali que decidiu: agora ninguém mais me segura. A jiboia começou com uma mudinha de nada. Hoje é cortina verde cobrindo a florestinha. Tem também a pata-de-elefante, a preferida dela. Está com ela há mais de 20 anos. Veio pequena, tímida e agora é gigante, pesada. Sirlene já mudou de vaso três vezes. Ela conta que a planta é resistente ao solzão e à chuva, forte como a dona. Uma vez por ano, solta uma haste comprida, cheia de florzinha branca miúda. Para ela, o segredo de tantas plantas saudáveis é o amor e o cuidado. “Dizem que quem ama cuida, eu cuido muito e não importa a hora. Às vezes é 3h da manhã e estou mexendo nelas. Limpo folha caída com a mão porque o rastelo machuca. Converso com elas. Falo: ‘Bom dia, boa noite, minhas meninas, como vocês estão hoje?’ O povo acha graça. Eu nem ligo. Eu sinto que elas entendem.” Outro segredo é o sol e o adubo orgânico. Sirlene prepara a terra com casca de ovos e batata batidas junto com borra de café. “É uma alegria chegar aqui de manhã e ver tudo colorido assim.” Furtos? A mecânica conta que a admiração é tanta que tem gente que furta algumas flores e ela já cansou de ver pelas câmeras de segurança. Embora fale isso com tom tranquilo, a ação não agrada nem um pouco ela, e nem poderia, já que as plantas são parte do que Sirlene é. As rosas-do-deserto também fazem parte do cenário e são o espaço mais valioso do corredor. Começou com uma só, a mais gordinha, e depois virou coleção, com branca, rosa e vermelha. Aos 63 anos, Sirlene, que é carioca, não esconde a animação pelos bailes da cidade e ama um fandango. Energia é o que não falta nela. Já cortou a própria grama da calçada, mas agora o corpo pede mais cuidado por causa do trabalho na fazenda. Mas das plantas, ela não larga por nada. Tem dia que fica brava porque estão feias. Jura que não vai mais cuidar. No outro, está lá de novo, com a mangueira na mão e conversa no pé do ouvido verde. E o povo ajuda. Ganha muda de presente. “Trouxe essa pra sua florestinha”.

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