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Renda de R$ 3.693 garante apenas o básico em MS, avalia economista

O rendimento médio de R$ 3.693 por trabalhador em Mato Grosso do Sul, conforme registrado no quarto trimestre de 2025 por uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), pode até ser considerado estável. Mas, na prática, segundo especialistas, o valor garante apenas o básico. Para a economista Aline Moreira, a renda média estadual está no limite para a manutenção das despesas essenciais. “De acordo com pesquisas do IBGE e da Serasa, o rendimento para ter qualidade de vida no MS estaria na faixa de R$ 3.300 até R$ 4.000. Em tese, essa renda média é suficiente para se ter o básico aqui em Mato Grosso do Sul”, afirma. Segundo ela, para além da sobrevivência mensal, o ponto central é a capacidade de construir uma reserva financeira. “O ideal de renda para viver com o básico e pensando em guardar uma parte do valor, uma reserva para imprevistos, seria pelo menos entre R$ 4.000 e R$ 4.500 no Estado”, aponta Aline. Esse valor é considerado para uma pessoa que vive sozinha, com gastos individualizados. Para uma família de quatro pessoas, contudo, o cenário muda. Nesses casos, o valor para garantir uma qualidade de vida aceitável varia de R$ 8 mil a R$ 12 mil. Aline explica que, quando a análise é ampliada para o cenário nacional, o patamar considerado mínimo sobe significativamente. “A nível Brasil, a faixa média gira em torno de R$ 6 mil para garantir o básico de moradia e alimentação e utilizando transporte público, saúde pública e escola pública”, declarou a economista. Ela ressalta, no entanto, que Mato Grosso do Sul apresenta vantagens estruturais em relação a grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro. “Quando a gente compara com esses grandes centros, aqui é possível viver com cerca de metade desse valor (R$ 6.000), muito por conta da qualidade dos serviços públicos e da logística de transporte e abastecimento dos alimentos, que é um ponto favorável no Estado.” A especialista alerta que a análise da renda isoladamente pode distorcer a realidade. “É preciso considerar outros indicadores como a taxa de desemprego, a oferta de trabalho, a inflação e o valor da cesta básica. Quando aumenta o preço dos alimentos, o rendimento precisa aumentar. Também é importante avaliar o índice de desigualdade, educação e saúde”, completa Aline. Se, na análise técnica, a renda média de R$ 3.693 garante apenas o essencial, na prática a percepção varia conforme a realidade de cada família. Nós fomos às ruas ouvir o que a população de Campo Grande tem a dizer sobre o assunto. Para o empresário Paulo Salvador, de 48 anos, o valor pode ser suficiente, desde que haja controle financeiro. “Se a pessoa souber usar esses R$ 3.600 de maneira adequada, vai conseguir sobreviver. Não pode querer luxar. Vejo muito o pessoal saindo e gastando R$ 300 numa noite no fim de semana. Para quem ganha R$ 3.600, é muita coisa gastar isso”, disse. Ele pondera que, para um casal em que ambos recebem esse valor, o cenário melhora. “Aí já são cerca de R$ 7.200 somados. Mas também não dá para querer morar em condomínio de alto padrão, tem que morar em um bairro mais tranquilo. Eu tenho empresa no Centro, mas moro no Jardim Aeroporto”, declarou. Ainda assim, o empresário reconhece que, para viver com mais conforto, o ideal seria algo em torno de R$ 5 mil mensais. “Creio que não é um salário ruim, depende da pessoa. Mas, para poder luxar e ter mais momentos de lazer, 5.000 seria ideal”, completou Paulo. A gerente Samara Maria Amorim, de 36 anos, tem uma avaliação diferente. Para ela, o valor gera aperto, especialmente para quem paga aluguel. “Hoje, um aluguel mais barato gira em torno de mil reais. Eu mesma morava em uma casa que era R$ 2.500. Então R$ 3 mil não daria”, afirmou. Na casa de Samara, trabalham ela, o marido e o filho mais velho. O casal ainda sustenta outros dois filhos menores de idade. “Só a luz dá em torno de R$ 500 e a água R$ 200, fora a comida. A gente vive com R$ 3.600, mas não vive confortável.” Para quem paga aluguel, segundo ela, o ideal também seria R$ 5 mil mensais. O pintor Luiz Rodrigues, 50 anos, concorda que o patamar de conforto começa na faixa de R$ 5 mil.  Para ele, o valor de R$ 3.600 permite viver com tranquilidade apenas em cenário de estabilidade dos preços. “Se não aumentar as coisas, dá para viver tranquilo, até comprar um carro. Mas, se aumentar as contas, já fica apertado”, disse o pintor. Já o vendedor Kelven Martinez, de 19 anos, considera a renda insuficiente para uma família. Ele mora com os pais e relata que, mesmo com três fontes de renda e uma pequena loja de roupas infantis, o orçamento é apertado. “Onde a gente mora o aluguel é barato, mas mesmo assim ainda está difícil. No nosso caso, as contas que pesam”, explicou. Segundo ele, os momentos de lazer são restritos e momentos de lazer ou viagens acontecem esporadicamente. “Com R$ 5 mil de renda daria para ter um pouco mais de tranquilidade. Mas, se eu morasse sozinho, não seria tão apertado como é para uma família”, comentou Kelven. Opinião dos leitores - Em enquete realizada pelo Campo Grande News, na terça-feira (24), 88% dos leitores afirmaram que o rendimento médio de R$ 3.693 não é suficiente para manter um padrão de vida confortável em Mato Grosso do Sul. Apenas 12% consideraram que o valor cobre as despesas básicas. 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