Secretário de saúde admite falta de medicamentos e prevê reposição em abril
A falta de medicamentos na rede municipal de saúde de Campo Grande é o principal desafio e prioridade da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). A promessa é que, em abril, seja feito o reabastecimento de diversos itens, conforme afirmou o titular da pasta, Marcelo Vilela, durante audiência de prestação de contas realizada na Câmara Municipal, na manhã desta sexta-feira (27). O secretário afirmou que a escassez nas unidades básicas é hoje “a pauta que mais aflige os usuários do SUS” e destacou que a maior deficiência, atualmente, é de medicamentos psiquiátricos. “O que ainda não está totalmente regularizado são os medicamentos da rede psicossocial. Acreditamos que, no mais tardar até abril, esses também estarão normalizados e disponíveis para a população”, disse. De acordo com Vilela, a burocracia dos processos licitatórios e a conduta de empresas que vencem as disputas com valores baixos e depois solicitam reequilíbrio contratual dificultam alcançar 100% de abastecimento. “Trabalhamos para atingir entre 85% e 90% de regularização. Na gestão pública há licitações, empresas que vencem com preço baixo e depois pedem reequilíbrio contratual. Isso gera processos jurídicos que podem levar de 60 a 90 dias. Depois há empenho, pedido e entrega. Por isso ocorrem atrasos”, justificou. Ele ressaltou que a regularização dos estoques é prioridade da gestão e que tem sido cobrado pela prefeita Adriane Lopes. “Primeiro, regularizar a medicação. Segundo, fortalecer a atenção primária, ampliando a cobertura, porque isso desafoga a média e alta complexidade. Também estamos dialogando com os hospitais e promovendo novas contratações para melhorar o sistema”, afirmou. Em relação aos gastos, o secretário destacou que o município aplica na saúde o dobro do mínimo constitucional, que é de 15%, e voltou a mencionar o que considera “subfinanciamento” da área em todo o Brasil. “A média nacional gira em torno de 28% a 30%. Fechamos o ano aplicando cerca de 30%. Precisamos fazer uma gestão cada vez melhor, porque o recurso é limitado e existe um subfinanciamento do sistema de saúde”, pontuou o secretário de Saúde. Segundo Vilela, os cerca de R$ 2 bilhões destinados à pasta não são suficientes para cobrir todas as necessidades. “Como servidor, faço o máximo para atender a população. Estimamos que seriam necessários pelo menos mais R$ 6 milhões por mês para suprir a demanda”, declarou. Números – Conforme dados apresentados na audiência, no terceiro quadrimestre de 2025 — referente aos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro — foram realizadas 1.082.481 visitas domiciliares por agentes comunitários de saúde, 541.644 atendimentos individuais (entre visitas, consultas e atendimentos por profissionais de nível superior). Também foram realizados 895.824 procedimentos por profissionais de níveis médio e superior (exceto cirurgião-dentista) e 73.320 atendimentos odontológicos. Ao todo, a produção da Atenção Primária à Saúde somou 2.593.269 procedimentos. Ainda segundo o relatório, a produção hospitalar totalizou 28.348 procedimentos, com valor aprovado de R$ 74.424.676,97, evidenciando forte concentração de recursos em serviços de alta complexidade. Já na Atenção Especializada Ambulatorial foram registrados 1.531.982 procedimentos, com R$ 48.889.821,77 em valores aprovados. No exercício de 2025, o investimento municipal no Componente Básico da Assistência Farmacêutica totalizou R$ 22.602.893,91. Os recursos foram destinados à aquisição de medicamentos padronizados, manutenção do abastecimento da rede, qualificação logística e fortalecimento das ações assistenciais farmacêuticas no âmbito da Remus (Rede Municipal de Saúde). O relatório é público e está disponível na íntegra neste link .