Da sala de aula ao 1º salário: programa transforma estudantes em profissionais
Em um Estado que cresce economicamente enquanto tenta reduzir desigualdades sociais, uma mudança silenciosa começa dentro das escolas: estudantes deixam de enxergar o futuro apenas como promessa e passam a experimentá-lo na prática — com carteira assinada, renda própria e novas perspectivas de vida. É nesse cenário que o Programa de Aprendizagem Profissional (PAP) vem ganhando espaço ao aproximar o ensino médio do mercado de trabalho. A proposta funciona como uma ponte entre a formação escolar e a experiência profissional, permitindo que jovens conciliem estudos e emprego ainda durante a fase escolar. Para muitos, o primeiro passo acontece entre o medo e a expectativa. Foi assim com o estudante Wender Gustavo Cardoso Echeverria, da Escola Estadual Hércules Maymone, em Campo Grande. Em 2024, enquanto cursava o 2º ano do ensino médio no itinerário de Marketing Digital, ele ingressou no programa e foi encaminhado para atuar como auxiliar administrativo em uma empresa da Capital. O início foi marcado pelo nervosismo típico do primeiro emprego. Mas o preparo recebido durante a formação — que inclui desde postura profissional até orientação para entrevistas — ajudou a reduzir a insegurança. No dia a dia, passou a lidar com organização de documentos, planilhas e rotinas administrativas, aprendendo na prática o funcionamento do ambiente corporativo. O esforço trouxe resultado rápido: ao concluir o ensino médio, Wender foi efetivado. “O PAP foi o início da minha vida profissional. Entrei sem saber o que faria do futuro e encontrei uma oportunidade que mudou minha trajetória. Hoje consigo ajudar minha família, organizar minha vida e investir nos meus estudos”, relata. Educação que gera renda Voltado a estudantes de 14 a 24 anos matriculados no ensino médio com formação profissional, o programa une teoria e prática por meio de contratos formais de aprendizagem previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Além da experiência profissional, os participantes recebem remuneração e acompanhamento pedagógico. Dados das edições anteriores indicam que mais de 200 contratos já foram firmados entre alunos e empresas parceiras, com avaliação positiva do setor produtivo, que aponta preparo técnico e comprometimento dos jovens aprendizes. Para a Secretaria de Educação, a proposta amplia o papel da escola ao transformar conhecimento em oportunidade concreta. Segundo o secretário Hélio Daher, a educação profissional passou a ocupar posição estratégica no desenvolvimento estadual ao garantir formação aliada à geração de renda. Permanência na escola e mobilidade social Além de abrir portas para o mercado, iniciativas como o PAP têm outro efeito direto: ajudam estudantes a permanecer nos estudos. Para muitos jovens, a possibilidade de trabalhar legalmente enquanto estudam reduz a pressão financeira dentro de casa e evita a evasão escolar. O impacto vai além do indivíduo. Ao estimular autonomia financeira precoce e qualificação profissional, programas desse tipo fortalecem a mobilidade social e ampliam as chances de ascensão econômica das famílias. Na avaliação do governo estadual, conectar escola e emprego é uma das formas mais eficazes de promover desenvolvimento com inclusão. A lógica é simples: quando o estudante encontra oportunidade antes mesmo de concluir os estudos, o futuro deixa de ser apenas expectativa — e passa a ser construção real. Assim, histórias como a de Wender deixam de ser exceção e passam a representar um novo caminho para milhares de jovens: o de transformar o diploma em porta aberta para o primeiro emprego — e para uma vida com mais autonomia.