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MS avança em capital humano e histórias de recomeço viram regra

Voltar a estudar depois dos 30. Trocar o Direito pela tecnologia. Conseguir o primeiro emprego antes mesmo de terminar o Ensino Médio. Em Mato Grosso do Sul, essas não são exceções — são histórias cada vez mais comuns de quem decidiu virar a chave da própria trajetória. Impulsionado por políticas públicas de qualificação e intermediação de mão de obra, o Estado figura hoje como o segundo do País em capital humano e ostenta a segunda menor taxa de desocupação do Brasil, com 2,4%, segundo dados da PNAD/IBGE. Na prática, os números se traduzem em gente com carteira assinada, renda maior e planos no papel virando realidade. Quando o sonho fala mais alto Aos 38 anos, Vanessa Amorim já tinha carreira consolidada na área de consultoria em telecomunicações. Mesmo assim, sentia que faltava algo. O desejo antigo de atuar na área da saúde nunca saiu do radar — apenas ficou adiado pela falta de condições financeiras. Foi ao saber da oferta gratuita do curso técnico em enfermagem, oferecido pela Secretaria de Estado de Educação (SED), que decidiu dar o passo que vinha adiando há anos. “Eu sempre gostei da área da saúde, mas nunca tive oportunidade de estudar. Quando soube do curso gratuito, fiz a prova e passei. Agora estou me preparando para trabalhar com o que sempre sonhei”, conta. O curso é ofertado pelo Centro de Educação Profissional Ezequiel Ferreira Lima e integra a política de educação profissional do Estado, lançada em 2015. Atualmente, quatro turmas estão em andamento, somando cerca de 120 estudantes. A formação ganhou ainda mais relevância durante a pandemia, quando a necessidade de profissionais de saúde ficou evidente. Hoje, aproximadamente 40 mil estudantes em Mato Grosso do Sul cursam algum itinerário da educação profissional integrado ao Ensino Médio. Inserção rápida e salário acima da média Para Thaiane Matias Rodrigues, a decisão veio ainda mais cedo. Aos 17 anos, enquanto cursava o 3º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Maestro Heitor Villa-Lobo, em Campo Grande, iniciou o técnico em enfermagem. “Eu sabia que a formação técnica poderia me inserir mais rapidamente no mercado e transformar minha realidade”, diz. Com aulas teóricas e práticas, além de estágio em unidade básica de saúde e no Hospital Regional, ela concluiu o curso em 2022 e rapidamente conquistou espaço no mercado — com remuneração acima da média inicial da área. “Desde o início percebi o quanto a qualificação agregou valor ao meu perfil profissional”, afirma. Hoje, Thaiane já mira novos horizontes e está em processo de formação em logística. Para ela, o acesso gratuito foi decisivo. “Sem essa oportunidade, eu não teria condições de custear a formação.” Da sala de Direito para o código de programação Se na saúde a demanda é constante, na tecnologia o crescimento é acelerado. Foi nesse cenário que Rafael dos Santos, 21 anos, mudou completamente seus planos. Estudante de Direito até 2024, decidiu trancar a faculdade após conhecer o programa Voucher Desenvolvedor, iniciativa do Governo do Estado voltada à formação técnica em Desenvolvimento de Sistemas. “Foi meu pai quem comentou sobre a prova. Fiz por curiosidade e ali tive meu primeiro contato com programação. Percebi que tinha me encontrado profissionalmente.” O mergulho foi intenso. Participou de seletivas do Senac, passou por treinamento de oito horas diárias durante sete meses e representou Mato Grosso do Sul em competição nacional no Rio de Janeiro, conquistando o segundo lugar. Hoje, trabalha como desenvolvedor em uma startup. “O programa mudou minha vida. Abriu portas que eu jamais imaginei.” Integrante do MS Qualifica, o Voucher Desenvolvedor oferece formação gratuita em cidades como Campo Grande, Dourados, Corumbá, Ponta Porã e Três Lagoas. Na primeira edição, 238 alunos concluíram o curso. Porta de entrada para o primeiro emprego A qualificação caminha lado a lado com a intermediação de vagas. Foi assim que Caroline Auxiliadora de Santana, 24 anos, decidiu buscar novos ares profissionais. Descontente com o emprego anterior, procurou a Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab) após ver divulgação de vagas nas redes sociais. No dia seguinte à visita, já estava participando de entrevista para assistente administrativo — e foi contratada. “Estou satisfeita, gosto do que faço e consegui melhores condições de trabalho”, diz. Para Christian Eduardo Bueno, 16 anos, a Funtrab foi a porta do primeiro emprego. Estudante do Ensino Médio no período noturno, conseguiu vaga em menos de uma semana. “Eu quis trabalhar para evoluir profissionalmente. Consigo conciliar estudo e trabalho. No futuro quero fazer Administração ou Direito”, planeja. Mobilidade social que aparece nos números — e na vida real Com 2,9% de índice de mobilidade social — o maior do País — Mato Grosso do Sul transforma indicadores econômicos em histórias concretas de ascensão. Por trás dos percentuais estão trajetórias como as de Vanessa, Thaiane, Rafael, Caroline e Christian. Pessoas que encontraram na qualificação gratuita, no retorno à escola e nas políticas de emprego uma ponte entre o desejo e a realização. Mais do que estatísticas, são projetos de vida em movimento — impulsionados pela decisão de aprender, recomeçar e ocupar novos espaços no mercado de trabalho.

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