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As peças mais icônicas do Museu Nacional de Beirute revelam cinco mil anos de história

O Museu Nacional de Beirute abriga uma das coleções arqueológicas mais relevantes do Oriente Médio. Inaugurado em 1942 e restaurado após os danos causados pela guerra civil libanesa (1975–1990), o museu reúne cerca de 100 mil artefatos descobertos em escavações realizadas em cidades históricas como Biblos, Tiro, Sidon e Baalbek.

Uma seleção de aproximadamente 1.300 peças compõe a exposição permanente, organizada para apresentar a história do território libanês desde a Pré-história até o período medieval. Entre esculturas monumentais, sarcófagos, mosaicos e artefatos religiosos, algumas obras se destacam pelo valor histórico e simbólico para a arqueologia do Levante.

Sarcófago do rei Ahiram (Biblos, século X a.C.)

Considerado uma das peças mais importantes do museu, o sarcófago do rei Ahiram foi descoberto na necrópole real da antiga cidade de Biblos e data aproximadamente do século X a.C. Esculpido em calcário, o monumento funerário apresenta relevos com figuras sentadas em tronos e participantes de um ritual de homenagem ao rei falecido.

O objeto ganhou fama internacional por causa da inscrição gravada em sua lateral. O texto está escrito em alfabeto fenício e é considerado um dos registros mais antigos desse sistema de escrita. O alfabeto fenício influenciou diretamente a formação do alfabeto grego e, posteriormente, do alfabeto latino utilizado em grande parte do mundo ocidental.

Estela de Ramsés II (Tiro, século XIII a.C.)

Entre os objetos mais antigos do museu está uma estela em basalto atribuída ao faraó Ramsés II, um dos governantes mais poderosos do Egito Antigo. A peça foi encontrada na cidade fenícia de Tiro e data do século XIII a.C.

Monumentos desse tipo eram utilizados para registrar campanhas militares ou afirmar a presença política egípcia em regiões estratégicas. A estela demonstra que o território do atual Líbano estava integrado às rotas comerciais e diplomáticas do Mediterrâneo oriental já no segundo milênio antes da era cristã.

Sarcófagos antropoides de Sidon (século V–IV a.C.)

Entre os conjuntos mais impressionantes da coleção estão os sarcófagos antropoides encontrados na região de Sidon. Esculpidos em mármore branco entre os séculos V e IV a.C., eles reproduzem de forma estilizada o rosto e o corpo do falecido.

Essas peças revelam a forte influência egípcia na arte funerária fenícia. A técnica e o formato lembram sarcófagos egípcios, mas os traços faciais e as vestimentas refletem características locais. O conjunto preservado em Beirute é considerado um dos mais completos desse tipo no mundo.

Sarcófago de Aquiles (Tiro, século II d.C.)

Proveniente da necrópole da antiga cidade de Tiro e datado do século II d.C., o sarcófago de Aquiles pertence ao período romano. A peça apresenta relevos detalhados com cenas da guerra de Troia e episódios da vida do herói Aquiles, personagem central da Ilíada, de Homero.

A presença desse tipo de iconografia demonstra como as narrativas da mitologia grega se espalharam pelo Mediterrâneo durante o Império Romano e passaram a fazer parte da cultura visual de cidades fenícias integradas ao mundo romano.

Tribuna do santuário de Eshmun (Sidon, século IV a.C.)

Uma das esculturas arquitetônicas mais importantes do museu é a tribuna em mármore proveniente do santuário de Eshmun, localizado próximo à antiga cidade de Sidon. Datada do século IV a.C., a peça fazia parte de um complexo religioso dedicado ao deus fenício da cura.

A escultura apresenta elementos artísticos típicos da cultura grega, refletindo a influência helenística na região após as conquistas de Alexandre, o Grande. Esse tipo de mistura cultural é uma das marcas da história do Levante.

Tronos de Astarte (Biblos, cerca de 500 a.C.)

Esses tronos rituais eram associados ao culto da deusa Astarte. Eles funcionavam como suportes simbólicos para estatuetas divinas e eram colocados em templos ou santuários.

Mosaicos romanos de Biblos e Baalbek (séculos II–III d.C.)

Entre as obras mais vistosas da coleção estão os mosaicos romanos provenientes de vilas e edifícios públicos das cidades do litoral fenício. Um dos mais conhecidos representa o mito da Abdução de Europa.

Na narrativa da mitologia grega, Zeus transforma-se em touro para raptar a princesa fenícia Europa e levá-la para Creta. O mosaico ilustra esse episódio e revela o nível de sofisticação artística das cidades da região durante o domínio romano.

Estátua de Afrodite (Baalbek, período romano)

A estátua representa Afrodite, deusa da beleza e do amor na mitologia grega. A escultura foi encontrada em Baalbek, uma das cidades mais monumentais do Oriente romano, famosa por seus templos dedicados a Júpiter, Baco e Vênus.

A presença de esculturas clássicas como essa ilustra o papel do território libanês como ponto de encontro entre diferentes culturas do Mediterrâneo.

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