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Mudança climática entra no centro do debate sobre queimadas em comunidades tradicionais em Goiás

O avanço das mudanças climáticas têm ampliado o debate sobre o uso do fogo, especialmente em regiões com altos índices de queimadas. Em Cavalcante, município que lidera o ranking estadual de áreas queimadas, segundo o Sistema de Informações Geográficas Ambientais do Estado de Goiás (SIGA-GO) o tema passou a ser discutido de forma mais intensa entre comunidades, brigadistas e órgãos ambientais.

Nesse contexto, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), promoveu entre os dias 3 e 5 de março uma oficina de educação ambiental voltada ao Manejo Integrado do Fogo.

A iniciativa teve como foco a capacitação de brigadistas e agentes públicos para atuarem como multiplicadores de ações educativas de prevenção a incêndios florestais. Ao mesmo tempo, a atividade buscou fortalecer o diálogo com o território quilombola Kalunga, considerado o maior território quilombola do Brasil e localizado no Cerrado goiano.

Entre os Kalunga, o uso do fogo faz parte de práticas agrícolas tradicionais e históricas, como a chamada “roça de toco”, utilizada no preparo da terra para cultivo, além da renovação de pastagens e limpeza de áreas. Para a comunidade, o fogo não representa apenas destruição ambiental, mas uma ferramenta integrada ao conhecimento tradicional de manejo do Cerrado.

Em entrevista ao Jornal Opção, o analista ambiental do Prevfogo em Goiás, Eduardo Costa de Assis, explicou como o tema surgiu nas discussões realizadas durante a oficina. “No primeiro dia a gente convidou a comunidade em geral, principalmente as lideranças, para ajudar a gente a fazer um diagnóstico da problemática do fogo na região. Foi uma mesa que teve vereadores, secretários, a promotora, chefe de brigada voluntária, além de nós, da coordenação, chefe da brigada local. E a gente convidou também o ancião Kalunga para fazer uma fala, o Sirilo Rosa.”

De acordo com ele, a participação de lideranças comunitárias foi fundamental para compreender como o uso do fogo se relaciona com a cultura local e com as transformações ambientais recentes. “Falamos como essas mudanças climáticas estão gerando um estranhamento cultural.” 

Durante os dias seguintes da oficina, brigadistas e representantes da comunidade participaram de atividades pedagógicas voltadas à construção coletiva de soluções. “A nossa oficina é feita para preparar com atividades educacionais e preparar o pensamento crítico em relação às mudanças climáticas. Frisamos bastante que o clima não é mais como era antigamente”, destacou o analista.

Ainda segundo Eduardo Costa de Assis, a proposta do Ibama não é eliminar o uso tradicional do fogo, mas orientar a comunidade para que a prática seja realizada de forma mais segura e coletiva. “A gente sabe que o fogo vai ser utilizado lá, sabe? Então não tem como a gente ir contra o uso do fogo.”

Por isso, as orientações incluem evitar o uso do fogo de forma isolada, comunicar vizinhos e buscar apoio das brigadas locais durante o manejo. A ideia é reduzir o risco de incêndios descontrolados, especialmente em períodos críticos de seca.

A oficina reuniu integrantes da Brigada de Pronto Emprego de Cavalcante, brigadistas do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e do Ministério Público do Estado de Goiás.

Como continuidade das ações, o Ibama planeja realizar, ainda em março, uma série de reuniões em diferentes localidades do território Kalunga. Durante esses encontros, técnicos e moradores irão analisar mapas de combustível vegetal – chamados de mapas de queima prescrita – para discutir, junto à comunidade, áreas sensíveis e formas de manejo tradicional do fogo.

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