Com ar-condicionado quebrado, pacientes voltam a sofrer com calor no HR
Pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde continuam sofrendo com calor dentro do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, por conta de problemas no sistema de ar-condicionado que, segundo denúncias, atingem diversos setores da unidade. O problema é denunciado desde o ano passado. De acordo com o relato de uma parente de paciente internada, que preferiu não se identificar, a situação tem sido recorrente e afeta principalmente as áreas de CTI (terapia intensiva). “Novamente o problema com o ar-condicionado. Nunca arrumam e está muito quente lá dentro, por ser um setor fechado. Estamos tendo que levar ventiladores para amenizar o clima dos nossos filhos que estão internados,” afirmou. Ela relata ainda que o problema não ocorre apenas na ala pediátrica. “Os funcionários trabalham pingando suor em cima das crianças. E não é só na ala intensiva pediátrica, no adulto também está a mesma coisa”, disse. Segundo a acompanhante, a situação já foi registrada na ouvidoria do hospital, mas até o momento não houve solução. “Já registrei reclamação e nada resolveram. Isso está acontecendo dentro dos CTIs adultos e pediátricos do hospital regional”, acrescentou. Uma profissional da área da saúde que trabalha na unidade e também pediu anonimato confirmou à reportagem que o problema atinge praticamente todo o hospital. “Está tudo sem funcionar mesmo. Dizem que foi um cabo que quebrou durante algumas reformas. O único setor que tem ar-condicionado funcionando é o da nefrologia, que é da reforma nova. Os outros não”, relatou. Segundo ela, o ambiente de trabalho se tornou extremamente difícil. “Está um caos mesmo, um caos administrativo. Todo mundo com as portas abertas, sem ar-condicionado, sem nenhuma qualidade de atendimento”, afirmou. A profissional conta que o calor tem afetado até a rotina médica. “Os médicos vão fazer as visitas e voltam suados, pingando. A área vermelha do PAM (Pronto Atendimento Médico) está lotada e não tem o que fazer sem ar-condicionado”, disse. Outro problema apontado é o risco sanitário causado pelo uso de ventiladores em ambientes hospitalares. “O maior problema é a contaminação cruzada. Qualquer vento pode proliferar doenças e contaminação. Em alguns casos até proíbem ligar ventilador por causa disso”, explicou. Segundo a funcionária, a situação atual ocorre há três dias e os profissionais de saúde foram informados que não há previsão para o conserto do sistema de climatização. Problema já foi registrado outras vezes - A falha no sistema de ar-condicionado do hospital não é nova. Reportagens publicadas pelo C ampo Grande News desde o ano passado já apontavam problemas semelhantes na unidade. Em dezembro, por exemplo, a unidade intermediária que atende recém-nascidos ficou sem climatização, obrigando pacientes e familiares a enfrentarem o calor intenso. Na época, o pai de um bebê internado relatou que os equipamentos estavam quebrados justamente em áreas sensíveis da unidade, que abrigam recém-nascidos em leitos abertos e incubadoras. “A situação é desumana na ala das crianças recém-nascidas. As mães que precisam permanecer no local para acompanhar os filhos estão reféns da situação e não podem sequer ventilar as crianças”, afirmou. Segundo ele, no segundo andar do hospital funcionam setores como pediatria, recuperação infantil e a ala que cuida de prematuros. “Conforme vou andando pelo setor, vejo gente se abanando. Não é um ambiente climatizado, está quente, parece o calor abafado do lado de fora”, relatou. A reportagem procurou a direção do Hospital Regional para comentar os relatos e informar sobre a previsão de reparo no sistema de climatização. Em retorno o HR relatou que "O sistema de ar-condicionado central apresentou falha. O hospital, com o apoio da Agesul, já adotou todas as providências necessárias para a solução do problema, e tem atuado para minimizar impactos à assistência aos pacientes", disse em nota.