Conflito no Oriente Médio pode impulsionar a cadeia produtiva de biodiesel em MS
A escalada do conflito no Oriente Médio pode acelerar a ampliação da produção de biodiesel no Brasil e abrir novas oportunidades para o agronegócio de Mato Grosso do Sul. A avaliação é da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), que analisou os possíveis impactos da proposta de aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel. Um pedido formal da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) ao Ministério de Minas e Energia propõe elevar o percentual do biocombustível para 17% na composição do diesel, o chamado B17. A solicitação ocorre em meio à instabilidade no mercado internacional de petróleo provocada pelos conflitos na região do Oriente Médio. O pleito foi encaminhado ao ministro Alexandre Silveira em ofício assinado pelo presidente da CNA, João Martins da Silva. Segundo a entidade, o setor produtivo demonstra preocupação com a elevação do preço do petróleo, possíveis oscilações no abastecimento, aumento dos custos logísticos e impactos na economia brasileira. Para a CNA, ampliar a mistura de biodiesel ao diesel pode contribuir para ampliar a oferta de combustível no mercado interno, reduzir pressões sobre os preços e reforçar a segurança energética do país. Além da CNA, a Aprosoja Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Soja) também solicitou ao governo federal o avanço no cronograma de aumento da mistura de biodiesel ao diesel fóssil. Impactos para Mato Grosso do Sul Na avaliação da Famasul, a medida pode gerar efeitos estruturais positivos para o agronegócio sul-mato-grossense. O estado é um dos grandes produtores de soja do país, principal matéria-prima utilizada na produção de biodiesel. Com a possível ampliação do percentual do biocombustível, a expectativa é de fortalecimento da demanda por matérias-primas agrícolas, além da atração de novos investimentos industriais ligados à cadeia de biocombustíveis. “Entre os benefícios que podemos apontar estão a agregação de valor à produção local, o estímulo à industrialização e a geração de empregos nas diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o campo até o processamento e a distribuição”, afirmou o presidente da Famasul, Marcelo Bertoni. Segundo a entidade, a expansão do biodiesel também pode consolidar Mato Grosso do Sul como um polo estratégico na transição energética do agronegócio brasileiro. O estado reúne condições para integrar produção agrícola, indústria de biocombustíveis e iniciativas voltadas à descarbonização da matriz energética. Embora a proposta tenha surgido inicialmente como resposta ao cenário internacional de instabilidade no mercado de petróleo, a CNA avalia que a ampliação da mistura pode gerar efeitos positivos duradouros para o setor. Se implementada, a política poderá estimular o crescimento da cadeia do biodiesel no Brasil e fortalecer regiões produtoras como Mato Grosso do Sul, ampliando a participação do estado em um segmento considerado estratégico para o futuro da energia e do agronegócio.