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Wilder Morais ajudou Alexandre de Moraes, algoz de Jair Bolsonaro, a se tornar ministro do STF

Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro só têm elogios para o senador Izalci Lucas, do PL do Distrito Federal.

Sem papas na língua, Izalci Lucas critica, de maneira direta e sem subterfúgios, alguns dos ministros do Supremo Tribunal Federal, notadamente Alexandre de Moraes.

Apontado como um político sério, que não faz negócios, Izalci Lucas não receia divulgar suas críticas aos problemas do STF, como a suposta ligação de ministros com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Suas críticas são petardos diretos.

O deputado federal Nikolas Ferreira, de Minas Gerais, não titubeia: bate duro no Supremo. Chega, como outros membros do PL, a sugerir o impeachment de Alexandre de Moraes. O deputado federal Gustavo Gayer também é um crítico de ministros do STF.

O senador Wilder Morais, presidente do PL em Goiás, não integra o grupo bolsonarista que faz críticas contundentes — ou mesmo leves — aos ministros do STF. As coisas têm histórias, quer dizer o comportamento do presente tem a ver com o do passado, às vezes.

Morais foi escolhido ministro na chalana de Wilder

No dia 10 de fevereiro de 2017 — há nove anos —, a “Veja”, mais importante revista do país, publicou uma reportagem, com o título de “Moraes passa por ‘sabatina informal’ em barco de senador”, que menciona Wilder Morais.

O primeiro parágrafo da reportagem da “Veja” informa: “Um grupo de oito senadores fez uma ‘sabatina informal’ com o ministro licenciado da Justiça, Alexandre de Moraes, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no barco do senador Wilder Morais (pP-Goiás), em Brasília, na terça-feira”. Em 2017.

“O encontro aconteceu na chalana Champagne, casa flutuante de Wilder”, complementa a revista “Veja”.

A conexão entre Wilder Morais e Alexandre de Moraes está, portanto, evidenciada. O que talvez explique o fato de o senador goiano — multimilionário — não formular nenhuma crítica ao STF, sobretudo ao ministro. Silencia-se, sub-repticiamente.

Wilder Morais e Alexandre de Moraes: conexões entre o senador e o ministro do STF são reais | Fotos: Reproduções

Eventualmente, Wilder Morais até pode defender Jair Bolsonaro, mas nunca vai à raiz do problema — o Supremo. Aliados e amigos dizem: “São os negócios”. Pode ser. E talvez o senador tenha simpatia por Alexandre de Moraes. Até porque, se não tivesse, não teria emprestado a chalana — que foi usada como Senado informal para garantir uma vaga para Alexandre Moraes no Supremo.

Pode-se dizer, ou sugerir, que, de alguma maneira, Alexandre de Moraes, o algoz principal de Jair Bolsonaro, foi escolhido numa “casa” de Wilder Morais. Vale ressaltar que em nenhum momento Wilder Morais contestou ou desmentiu a revista “Veja”. Nem a processou.

Posta a questão, pode-se garantir que Wilder Morais é bolsonarista? Não, o empresário não é bolsonarista. É apenas um companheiro de jornada dos Bolsonaros com o objetivo de conquistar benefícios pessoais e políticos.

Conexão com Vanderlan e Izaura Cardoso

O senador Vanderlan Cardoso dizia ser bolsonarista. Tanto que colocou sua mulher, a empresária Izaura Cardoso, como suplente do senador Wilder Morais, do PL.

Vanderlan Cardoso, Izaura Cardoso, Wilder Morais e Hélio Araújo: altas conexões | Foto: Divulgação

Porém, bastou Lula da Silva ser eleito, e Vanderlan trocou de aliados e amigos. O senador se tornou um parceirão do presidente Lula da Silva, do PT, e, com o uso extremo dos recursos da Codevasf, se tornou popular no interior de Goiás — entregando caminhões, tratores e patróis para as prefeituras.

Em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, Vanderlan Cardoso é apontado como o mais “vermelho” dos senadores de Goiás — o que, claro, é um exagero. Mas o que dizem está correto: o senador é um grande aliado de Lula da Silva e vota com o petista-chefe.

Vanderlan Cardoso se tornou inimigo, mais do que adversário, do deputado mais bolsonarista de Goiás — Gustavo Gayer, do PL. O senador processou-o no Supremo Tribunal Federal e quase conseguiu cassá-lo. Em nenhum momento Wilder Morais fez a defesa do correligionário. Pelo contrário, silenciou-se. Ao calar-se, ajudou, de certo modo, Vanderlan Cardoso.

O bolsonarismo queria uma aliança do PL com o pré-candidato a governador de Goiás pelo MDB, Daniel Vilela. Porque a candidatura de Gustavo Gayer sairia fortalecida. Porém, mesmo sabendo disso, Wilder Morais insistiu, com uma candidatura haraquiri, e se tornou pré-candidato a governador. O senador sabe que não será eleito, mas quer prejudicar o deputado? Gustavo Gayer, se eleito senador, irá integrar o grupo de senadores que vai articular o impeachment de Alexandre de Moraes. É isto que Wilder Morais não quer? É o que parece.

A tendência é que Daniel Vilela, líder nas pesquisas de intenção de voto sérias — não as dos “catatais inexatos” da vida —, seja eleito governador. Até no primeiro turno. Mas, ba hipótese de Wilder Morais ser eleito, quem assume sua vaga no Senado? Izaura Cardoso, a mulher de Vanderlan Cardoso, o senador pró-Lula da Silva.

Depreende-se, por tudo que se disse acima, que Wilder Morais pode ser tudo — até galã e latin lover —, menos bolsonarista. Seria o senador um cavalo de Troia no PL?

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