World News in Portuguese

Capital precisa de 11,4 mil casas ao ano para zerar demanda prevista até 2035

Cálculo da Emha (Agência Municipal de Habitação) com base no déficit atual de moradias e na projeção de crescimento populacional de Campo Grande para 2035 indica que será necessário construir 114.466 casas e apartamentos para atender famílias com rendas partindo de menos de um salário mínimo até mais de sete salários mínimos. A maior demanda está na faixa 1 de renda familiar, de zero a três salários mínimos, com necessidade de 67.583 domicílios (59% em relação ao total estimado). Já a menor é referente à faixa 3, de seis a sete salários mínimos, que vai precisar de 6.173 moradias (5,39%). Seria preciso construir aproximadamente 11,4 mil casas por ano entre 2026 e o final de 2035 para zerar a demanda na década. Só que o ritmo de construções e o orçamento investidos pelo poder público e empresas precisam aumentar bastante para tornar todos os sonhos realidade. Mais de 500 por ano - O que a Capital conseguiu entregar de 2017 para cá, também segundo a Emha, foram cerca de 540 unidades habitacionais por ano. O número considera apenas as moradias construídas com algum subsídio público, seja municipal, estadual ou federal. O total chegou a cerca de 4,3 mil unidades em nove anos. Detalhes na tabela abaixo: A expectativa é de o número superar 5 mil unidades em uma década, caso as 822 que estão em andamento e contam com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial do programa federal Minha Casa, Minha Vida sejam concluídas até dezembro deste ano.  Veja quais estão nessa situação: Esforços - O diretor-presidente da Emha, Claudio Marques Costa Júnior, lembra que as políticas habitacionais e os orçamentos destinados a elas para beneficiar pessoas com as rendas mais baixas são responsabilidade compartilhada entre Município, Estado e União. Ele explica que a Prefeitura de Campo Grande decidiu reunir recursos públicos de várias frentes e propostas de parceria com a iniciativa privada no programa Sonho Seguro, lançado em dezembro do ano passado. A prioridade é zerar o déficit habitacional existente, que é de aproximadamente 36 mil famílias cadastradas na Emha. Isso deve ser feito por meio da entrega de moradias próprias com prestações pagas à Caixa Econômica Federal, doação de lotes públicos para construção e a locação social de apartamentos por valores abaixo do mercado imobiliário, por exemplo.  O diretor vê a falta de moradias como um problema acumulado ao longo de décadas devido à atenção às políticas econômicas em detrimento das sociais na Capital. A prefeitura, historicamente, nos últimos 20, 30 anos, teve um Plano Diretor voltado para o desenvolvimento econômico. Quando você foca em desenvolvimento econômico, você esquece a parte social, infelizmente. Tanto que a Emha sempre foi um instrumento que as pessoas sabiam que existia, mas ela nunca teve protagonismo, nunca defendeu a pauta da habitação como deveria, indo 'para cima' do negócio e do problema", ele critica. Ainda assim, ele reconhece que houve uma redução do déficit de moradias. Em 2017, ano em que começou a trabalhar na Agência Municipal como técnico, o número estava estimado em 62 mil.  "Houve uma diminuição até esses 36 mil atuais, não só com entrega de unidades habitacionais, mas também com a regularização fundiária e a atualização da realidade da cidade, que não tinha esses dados, essas informações corretas", complementa Claudio Marques. Aumento do orçamento - Aumento do orçamento - O orçamento da Emha para habitação é de cerca de R$ 14 milhões e será necessário ampliá-lo para atender às propostas do Sonho Seguro. Como os valores de materiais e serviços da construção civil podem subir ou cair a cada ano, uma projeção para os gastos necessários para construir as mais de 100 mil moradias em 10 anos seria imprecisa. Claudio estipula quanto às 817 moradias previstas para locação social e locação popular com subsídio 100% municipal e a parceria com empresas construtoras, um dos pontos previstos pelo programa lançado em dezembro. Nesses modelos, os moradores contribuem com parte do valor do aluguel: nas unidades de locação social, as famílias podem comprometer até 20% da renda, enquanto nas unidades de locação popular o limite é de até 30% da renda familiar. O valor restante é custeado pela prefeitura, por meio da contraprestação mensal à empresa que poderá chegar a R$ 3,5 milhões, segundo o diretor. Em relação ao Minha Casa, Minha Vida, que permite o financiamento pela Caixa, Marques afirma que uma moradia padrão mais simples para a faixa 1 de renda sai a R$ 190 mil para ser construída. "Ela é cara. A unidade habitacional encareceu porque você também tem exigências que o próprio Governo Federal fez para atender um público mais vulnerável, que é a placa solar, a varanda e um parquinho, por exemplo", detalha. Ele não contesta e, sim, apoia as mudanças que levaram à elevação do custo das unidades. "A gente entende que é um direito para esse público ter acesso a espaços melhores, não só aquelas 'caixetas' no mesmo padrão", finaliza.

Читайте на сайте