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PSDB encolhe em MS e vira palco de disputa interna por sobrevivência

O PSDB de Mato O PSDB de Mato Grosso do Sul vive um dos momentos mais delicados de sua história recente. Após anos como protagonista da política estadual, a sigla enfrenta agora um processo acelerado de esvaziamento que a reposiciona como coadjuvante no tabuleiro eleitoral. A debandada das principais lideranças abriu um vácuo difícil de preencher. O ex-governador Reinaldo Azambuja migrou para o PL, enquanto o atual governador Eduardo Riedel se filiou ao Progressistas. Sem seus dois maiores nomes, o partido perdeu densidade política, estrutura de poder e capacidade de articulação. O que restou foi uma legenda que tenta, agora, se reorganizar às pressas para não desaparecer do mapa eleitoral. Sobrevivência com corda esticada Nos bastidores, o clima está longe de pacificado. Parte dos que permaneceram no PSDB o fez por alinhamento histórico — e, em alguns casos, por pedido direto das lideranças que saíram, mas ainda exercem influência nos rumos do partido. Ainda assim, o ambiente interno é de tensão constante. Disputas pela presidência estadual, ameaças de saída e exigências por espaço nas chapas eleitorais se tornaram rotina. O partido, que antes distribuía poder, hoje negocia sua própria sobrevivência. Exigências, reação e versão de Geraldo Um dos casos mais emblemáticos é o do deputado federal Geraldo Resende. Insatisfeito com o cenário interno, ele chegou a abrir conversas com o PV e deixou claro que poderia deixar a sigla. A permanência veio condicionada — ao menos na leitura de interlocutores do partido. Mas o próprio parlamentar contesta a versão de imposições e nega que haja um ambiente de crise irreversível. “Não tem isso, tem gente querendo polarizar, tem vontade enorme de ver o circo pegar fogo. Quem quiser ficar… Mas quem está insatisfeito pode sair, pode aproveitar a janela partidária e sair”, afirmou. Sobre a disputa interna pelo comando da sigla, Geraldo sustenta que não há novidade. “Assumir a presidência é automático, eu sou vice-presidente e não estou disposto a renunciar.” Candidatura da filha amplia ruído Outro ponto de atrito interno é a possível candidatura da filha do deputado, Barbara Resende, à Assembleia Legislativa — movimento que gerou reação entre pré-candidatos do próprio partido. Geraldo, porém, minimiza o desgaste e afirma que a decisão não passa por imposição. “Ela não é filiada, mas vai filiar no partido que eu estiver. A disputa eleitoral é um desejo dela, e eu não interfiro na vontade dela.” Para ele, a polêmica é artificial. “Isso é um conflito na cabeça de quem quer mandar em tudo quanto é lugar.” Nos bastidores, a estratégia de “dobradinha” — com o deputado buscando a reeleição à Câmara Federal e a filha disputando vaga na Assembleia — segue sendo vista com resistência por parte da base tucana. Racha silencioso A disputa por espaço evidencia um partido fragmentado, onde interesses individuais se sobrepõem à construção coletiva. O desconforto interno cresce à medida que o PSDB tenta montar uma nominata competitiva com menos força política e menor capacidade de atrair novos quadros. Geraldo, por sua vez, defende foco no projeto eleitoral. “Espero que a gente jogue nossa energia na construção da nominata, e não ficar digladiando.” De protagonista a coadjuvante O partido que já comandou Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos agora luta para manter relevância. A nova realidade impõe um desafio imediato: reorganizar suas bases, conter novas saídas e construir, quase do zero, um projeto eleitoral viável. No tabuleiro político de 2026, o PSDB deixou de ser protagonista. E, diante do atual cenário, corre contra o tempo para não se tornar apenas figurante.

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