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Cidade cresce para cima enquanto aves seguem sem proteção definida

Durante a COP15, conferência internacional que reúne representantes de diversos países para discutir a conservação de espécies migratórias, Campo Grande volta ao centro de um debate local: o avanço da verticalização e seus impactos sobre a fauna. Foi nesse contexto que a prefeita Adriane Lopes (PP) foi questionada nesta segunda-feira (23) sobre a expansão de prédios na cidade e os riscos apontados por ambientalistas, especialmente em relação às aves. Em resposta ao  Campo Grande News , ela mantém o plano já adotado pela gestão.  “A verticalização é um momento de Campo Grande, de expansão, de crescimento e ela é necessária, mas os estudos também vão trazer para nós uma nova visão sobre este impacto que pode ser gerado”, disse. Segundo a prefeita, o município acompanha levantamentos feitos por universidades e equipes técnicas. Ela também citou o mapeamento de áreas mais frequentadas por aves, como a Lagoa Itatiaia e regiões úmidas da cidade. “Estamos acompanhando os estudos, acompanhando as universidades. Estamos com o diálogo aberto para essa construção, importante para a cidade, mas também para as aves migratórias que vêm à nossa cidade”, afirmou. Números -  Levantamento com base nos EIV (Estudos de Impacto de Vizinhança) apresentados à Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) mostra que, desde 2024, mais de 60 empreendimentos habitacionais foram analisados na Capital. Somados, esses projetos ultrapassam 13 mil unidades habitacionais previstas, distribuídas em diferentes regiões da cidade. A maior concentração ocorre em bairros como Veraneio, Carandá, Chácara Cachoeira e áreas próximas ao Parque dos Poderes, justamente onde já foram feitos alertas sobre impactos ambientais. Além do aumento no número de empreendimentos, também cresce o porte dos projetos. Em 2025, passaram a surgir propostas com mais de 400, 500 e até 800 unidades em um único complexo habitacional, ampliando o potencial de impacto urbano e ambiental. Alertas já feitos -  A preocupação com os efeitos da verticalização não é recente. Em audiência pública realizada na Câmara Municipal no ano passado, pesquisadores e moradores já haviam apontado riscos associados ao avanço de prédios no entorno do Parque Estadual do Prosa. A bióloga Maristela Benites destacou que a região abriga mais de 262 espécies de aves, incluindo migratórias, e alertou para o risco de colisões com edificações, especialmente aquelas com fachadas espelhadas. Também foram levantadas preocupações com a impermeabilização do solo, possível impacto sobre nascentes e aumento no fluxo de veículos. O Ministério Público Estadual chegou a instaurar procedimento para apurar o avanço de empreendimentos na zona de amortecimento do parque, área que deveria funcionar como proteção à unidade de conservação. COP15 -  A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres reúne representantes de mais de 130 países e discute estratégias para proteção de espécies migratórias e preservação ambiental.

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