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Ambulantes temem perda de renda e aguardam reunião com prefeitura

Horas após a notificação que deu prazo de 15 dias para saída dos trailers na Avenida Afonso Pena, em frente ao Parque das Nações Indígenas, o movimento seguia intenso no início da noite desta terça-feira (24). Entre pedidos e atendimento ao público, vendedores ambulantes relataram apreensão e incerteza sobre o futuro. A reportagem do Campo Grande News voltou ao local e encontrou parte dos trabalhadores ainda em atividade, apesar da preocupação. Alguns recusaram entrevista. Outros aceitaram falar e disseram que aguardam uma reunião com o Poder Público, marcada para quarta (25), na tentativa de tentar reverter a decisão. Filha de comerciantes, a estudante Emanuele de Oliveira Lopes, 16 anos, contou que a família trabalha há quase seis anos no ponto. Segundo ela, a notícia pegou todos de surpresa. “É daqui que a gente tira o nosso sustento. Foi do nada. Meus pais ficaram muito preocupados”, afirmou. Emanuele também contestou críticas sobre desorganização. “Aqui é organizado, não tem lixo jogado. A gente trabalha, não faz nada de errado”, disse. Ela afirma que, em conversa com fiscais, não houve explicação detalhada sobre os motivos da retirada. Funcionário de um trailer, Wendell Cabral Ortega, 52 anos, trabalha no local há quatro anos e teme prejuízo caso a medida seja mantida. Ele destaca que o ponto concentra fluxo constante de clientes, impulsionado pelo Parque e pelo Bioparque Pantanal. “Se sair daqui, vai para onde? Aqui tem movimento o dia inteiro. Em outro lugar, pode não ter. Aí fica difícil manter”, afirmou. Segundo ele, a retirada pode afetar dezenas de trabalhadores. “Tem muita família que depende disso. Pode ter demissão”, disse. Conforme Pablo Taciano, representante dos vendedores ambulantes, eles buscam abrir um canal de negociação com a prefeitura. O grupo cogita levar os trailers para a frente da COP 15 (15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias), que acontece em Campo Grande. Ele relata que a maioria dos vendedores paga pela energia elétrica, que é regularizada. “A gente fez cadastros no Imasul [Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul], fez cadastro no ano passado com a prefeitura. E agora todos foram notificados”, afirma Até a definição, o cenário no trecho segue o mesmo: luzes acesas, clientes circulando e trabalhadores divididos entre manter as vendas e lidar com a incerteza sobre os próximos dias. Notificação - Conforme já publicado, a Prefeitura de Campo Grande deu prazo de 15 dias para que os ambulantes deixem de usar área pública situada nos altos da Avenida Afonso Pena, em frente ao Parque das Nações Indígenas. A notificação, enviada na segunda (23), foi emitida pela Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável). O documento da prefeitura agora menciona a Lei 2909/1992, o Código de Polícia Administrativa do Município. O artigo quinto proíbe a utilização dos logradouros públicos para atividades diversas daquelas permitidas na lei. Neste caso, “verificada a invasão de logradouro público, o Executivo Municipal promoverá as medidas judiciais cabíveis para pôr fim a mesma”. Adriano Massaroto afirma que os ambulantes instalados no entorno do Parque das Nações Indígenas buscam atuar dentro da legalidade. “É só falar as regras que a gente cumpre. Não estamos pedindo para a prefeitura ou o Estado fazer as adequações, nós mesmos fazemos. Só falta uma determinação”, disse.  O Campo Grande News questionou a prefeitura sobre a notificação e aguarda resposta.

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