Após confusão com morte em presídio, 55 internos são transferidos
A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) transferiu 55 internos da Penitenciária de Dois Irmãos do Buriti, na cidade a 116 quilômetros de Campo Grande, após um conflito registrado na manhã de terça-feira (24), que terminou com a morte de Thiato Henrique Ribeiro e outros oito internos feridos. A medida, considerada estratégica pela administração penitenciária, foi concluída ainda na noite do mesmo dia e teve como objetivo reorganizar a unidade e evitar novos confrontos. A ação ocorre em meio a críticas já apontadas anteriormente sobre superlotação e falta de servidores no sistema prisional do Estado. Segundo a Agepen, a situação foi inicialmente controlada pelos próprios policiais penais da unidade, com reforço de equipes do Cope (Comando de Operações Penitenciárias) e da Diretoria de Operações, que atuaram na separação dos internos e na retomada da ordem. Dos feridos, três seguem hospitalizados, sob custódia e escolta do GEP (Grupamento de Escolta Penitenciária). O diretor-geral da Polícia Penal, Anderson Aparecido Moreno, destacou a atuação das equipes. “A prontidão dos policiais penais da unidade, somada ao apoio especializado, foi crucial para conter o incidente e evitar o agravamento do cenário. O foco foi o restabelecimento da ordem e da segurança institucional”, afirmou. Já o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, ressaltou a rapidez da resposta. “O planejamento logístico e o cumprimento rigoroso dos protocolos demonstram o preparo dos policiais. Atuamos com agilidade para mitigar riscos e garantir a estabilidade do ambiente prisional”, disse. A Agepen instaurou procedimentos administrativos para apurar as circunstâncias do confronto e identificar responsabilidades individuais, com apoio da Gisp (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário). O caso também foi registrado na Polícia Civil, que ficará responsável pela investigação criminal. O corpo do interno que morreu passou por perícia, conforme protocolo legal. Superlotação - De acordo com o Sinsapp(Sindicato dos Policiais Penais), a penitenciária tem capacidade para 238 internos, mas enfrenta desafios relacionados à superlotação e à falta de servidores. O sindicato critica o modelo de ampliação de vagas adotado no sistema prisional, apontando que adaptações estruturais, sem aumento proporcional do efetivo, podem comprometer a segurança. O sindicato também afirma ser contrário à ampliação de vagas sem a construção de novas unidades. Segundo o sindicato, alterações estruturais nas penitenciárias podem descaracterizar o modelo de segurança e favorecer novos episódios de violência. Uma diligência deve ser realizada no local para avaliar a situação. As comissões de Direitos Humanos e Execução Penal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) estiveram na unidade para apurar as circunstâncias do caso que ocorreu nos pavilhões 2 e 3. Tumulto - Na manhã de terça-feira, a Agepen informou que o tumulto teve início após conflitos internos entre custodiados. Durante a ocorrência, alguns detentos chegaram a acessar o telhado da unidade, elevando a tensão no local. Apesar da gravidade, o episódio não foi classificado como rebelião, já que, segundo a agência, não houve ação coordenada contra a administração da unidade, mas sim confronto entre os próprios presos. As circunstâncias da morte e dos ferimentos ainda serão investigadas.