Um em cada cinco adolescentes de MS perderam a vontade de viver, aponta pesquisa
Mato Grosso do Sul está entre os estados com piores indicadores de saúde mental entre adolescentes em pelo menos três aspectos irritação frequente, sentimento de que a vida não vale a pena e vontade de se machucar de propósito. Os dados são da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) 2024, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que ouviu estudantes de 13 a 17 anos em todo o País. Por outro lado, o Estado aparece entre os melhores no indicador de tristeza frequente e na sensação de abandono. O indicador que mais diferencia MS da média nacional é o de irritação e nervosismo frequente. Enquanto a média dos estados é de 41,9%, o sul-mato-grossense chega a 44,1% — o 5º maior percentual do País, atrás apenas de Rio de Janeiro (47,1%), Paraná (46,2%), Goiás (45,1%) e Distrito Federal (44,8%). Entre as meninas do Estado, o índice ultrapassa 61%, contra 26,8% dos meninos — uma diferença de mais de 34 pontos percentuais que se repete, em intensidades variadas, em praticamente todos os indicadores avaliados. A vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa foi relatada por 34,3% dos escolares do Estado — o 4º maior índice nacional. O Amapá lidera com 38,3%, e o Rio Grande do Norte registra o menor percentual, com 30,2%. No MS, 47,6% das meninas afirmaram ter sentido esse impulso, contra 21,7% dos meninos. Nas escolas públicas, o índice é de 34,5%; nas privadas, 32,6%. A média nacional é de 32%. Vontade de viver Na mesma linha, 21% dos estudantes sul-mato-grossenses relataram ter sentido que a vida não valia a pena ser vivida na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa — o 6º pior resultado entre os 27 estados, acima dos 18,5% registrados para o Brasil. Amazonas e Amapá lideram esse indicador, ambos com 23,9%. O Rio Grande do Sul tem o menor percentual, 15,1%. No Estado, as meninas chegam a 29,2%, enquanto os meninos registram 13,3%. Alunos de escolas públicas (22%) ficam levemente acima dos de escolas privadas (21,1%). O isolamento social também chama atenção. O percentual de escolares sem amigos próximos em MS é de 5,7% — o 7º maior do País e bem acima da média nacional de 4,5%. Neste indicador, os meninos (6%) superam as meninas (5,3%), invertendo a tendência observada nos demais. A diferença entre redes de ensino é a mais expressiva dentre todos os indicadores: nas escolas públicas, 6,1% dos alunos não têm amigos próximos; nas privadas, apenas 2,5%. Roraima lidera negativamente com 7,3%, e o Paraná registra o menor índice, 3,1%. Saúde mental A autoavaliação negativa de saúde mental, medida nos 30 dias anteriores à pesquisa, atinge 15,3% dos adolescentes do Estado — 10ª posição no ranking nacional, próximo à média de 14,9%. O Amapá tem o pior resultado (18,2%) e o Rio Grande do Norte, o melhor (12,9%). As meninas de MS chegam a 25% de avaliação negativa, frente a apenas 6,1% dos meninos. Escolas públicas (15,6%) ficam acima das privadas (12,8%). A preocupação excessiva com as coisas do cotidiano é o indicador em que MS fica mais próximo da média nacional: 49% dos estudantes relataram se sentir muito preocupados na maioria das vezes ou sempre, ante 49,7% do Brasil — 15ª colocação entre os estados. O Distrito Federal lidera com 55,1%; o Tocantins tem o menor índice, 42,4%. Aqui, a diferença entre redes chama atenção: 63,2% nas escolas privadas, contra 47,2% nas públicas — a maior distância entre os tipos de instituição observada em qualquer indicador no estado. Índices positivos em MS Nos dois indicadores em que MS se sai relativamente melhor, os números ainda são expressivos em termos absolutos. A tristeza frequente atinge 27,3% dos estudantes — o 3º menor índice do País, empatado com o Rio Grande do Sul e abaixo da média nacional de 28,9%. O Amapá lidera negativamente com 35,5%. A sensação de que ninguém se preocupa com eles foi relatada por 25,2% dos jovens do estado — 22ª posição, com o Amapá no topo (30,5%) e o Rio Grande do Sul na base (24,1%). Nesses dois casos, as meninas também registram índices substancialmente maiores do que os meninos.