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Compêndio da Bíblia – 12. 2Reis

  • Por Emídio BrasileiroEducador, Jurista e Cientista da Religião

O livro de 2Reis é o décimo segundo da Bíblia e o sétimo livro histórico do Antigo Testamento. A autoria não é confirmada, mas a tradição atribui a compilação ao profeta Jeremias, a partir de registros de Natã, Gade e outros. A obra dá continuidade ao relato de 1Reis, acompanhando a trajetória dos monarcas durante o período do reino dividido entre Israel e Judá.

O conteúdo abrange cerca de 300 anos, aproximadamente entre 850 a.C. e 586 a.C., narrando acontecimentos desde os reinados de Jeorão, em Judá, e Acazias, em Israel, até o período do cativeiro. Ao longo de 25 capítulos, o livro apresenta a história política, militar e espiritual dos reinos, destacando a fidelidade — ou infidelidade — do povo a Deus, além do papel dos profetas como mensageiros de advertência e orientação.

A estrutura da obra pode ser dividida em quatro partes: o fim do ministério de Elias; o ministério de Eliseu; a queda do reino de Israel; e, por fim, a queda de Judá.

Os relatos destacam a atuação dos profetas diante da desobediência do povo. Elias confrontou a idolatria e anunciou juízo contra reis que se afastaram do Senhor. Segundo a narrativa, ele previu a morte do rei Acazias, enfrentou soldados com fogo do céu e, ao final de seu ministério, foi arrebatado em um redemoinho após atravessar o rio Jordão ao lado de Eliseu.

Eliseu, sucessor de Elias, deu continuidade à missão profética. Conforme o texto bíblico, realizou milagres e sinais, como curas, multiplicação de alimentos, purificação de águas e a ressurreição do filho de uma mulher sunamita. Também teria sido instrumento para a cura de Naamã, comandante sírio, além de atuar como conselheiro em momentos de crise.

Outros profetas também são mencionados. Jonas aparece brevemente, reforçando a ideia de que a mensagem divina ultrapassava as fronteiras de Israel. Já Isaías é retratado como uma voz de encorajamento durante ameaças externas, especialmente ao lado do rei Ezequias, ao defender a confiança em Deus diante da pressão do império assírio.

No reino do norte, Israel, a narrativa aponta que reis como Jeroboão e seus sucessores instituíram práticas idólatras, o que levou a crises internas e externas. Apesar das advertências dos profetas, o povo não teria se arrependido, resultando na conquista assíria e no exílio da população.

Entre os reis de Israel citados estão Acazias, Jorão, Jeú — que combateu o culto a Baal —, Jeoacaz, Jeoás, Jeroboão II, Zacarias, Salum, Menaém, Pecaías, Peca e Oséias, último governante antes da queda do reino.

Já o reino de Judá teve duração aproximada de 150 anos a mais. Alguns reis, como Ezequias e Josias, promoveram reformas religiosas, destruíram ídolos e reforçaram o culto em Jerusalém. Ainda assim, a infidelidade de outros governantes contribuiu para o enfraquecimento do reino.

Entre os reis de Judá mencionados estão Josafá, Jorão, Acazias, Atalia, Joás, Amazias, Azarias (Uzias), Jotão, Acaz, Ezequias, Manassés, Amom, Josias, Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim e Zedequias, último rei antes da queda de Jerusalém.

A narrativa culmina com dois marcos históricos: a queda de Israel para a Assíria, em 722 a.C., e a destruição de Judá pelos babilônios, em 586 a.C., durante as campanhas do rei Nabucodonosor II. O cerco de Jerusalém, a destruição do Templo e o exílio para a Babilônia simbolizam o fim da monarquia israelita.

Apesar do cenário de destruição, o texto destaca a manutenção da linhagem de Davi e a preservação da esperança de restauração, apontando para a continuidade da promessa divina mesmo em meio ao juízo.

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