Sorocabanos se preparam para falta de transporte nesta sexta-feira
Horas antes da mobilização nacional, prevista para ocorrer nesta sexta-feira (14), o assunto era debatido nos pontos de ônibus de Sorocaba entre os moradores que precisarão driblar a falta de transporte público no último dia útil da semana. Além do transporte, outros serviços públicos também poderão ser afetados.
A pedagoga Simone Storck, de 35 anos, atua na rede municipal de Mairinque, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). Para chegar ao trabalho diariamente, pega um coletivo em Sorocaba e outro intermunicipal.
Com a falta do transporte, se viu sem opção para chegar à cidade vizinha e optou por abonar o dia de trabalho. “Quem mora mais próximo consegue ir, mas para quem mora mais distante não compensa”, completou a funcionária pública, enquanto aguardava o ônibus no terminal de transferência da avenida Itavuvu.
Da zona norte à oeste, Vinicius Sabino, de 21 anos, atravessa Sorocaba todos os dias para ir trabalhar em um supermercado no bairro Wanel Ville. E, ao invés de pegar os dois ônibus como de costume, negociou com a chefia e irá trabalhar de transporte por aplicativo. Assim, não perderá o dia de serviço. “É importante para a categoria – dos rodoviários -, mas acaba prejudicando os trabalhadores que pegam ônibus”, contou o rapaz.
Rita Felipa Soares, de 24 anos, operadora de caixa, também optou pelo transporte por aplicativo, mas afirma que a empresa não irá arcar com os custos do transporte. “Nem tocaram no assunto sobre o transporte, aí para não faltar vou ter que pagar.” A cozinheira Gecy Maciel, de 54 anos, ganha por dia trabalhado e precisará recorrer aos aplicativos de transporte também.
Ao lado da filha pequena, a auxilar de limpeza Lucimeire Vieira, de 34 anos, aguardava o ônibus e respirava aliviada por ter conseguido um meio de transporte para ir trabalhar. A empresa fornecerá à funcionária uma van para transportar os trabalhadores. Por morar perto da escola onde a filha estuda, conseguirá levar a menina. “Para levar ela são dez minutinhos andando, então vou conseguir levar”, explicou.
A escolha de Luís Ricardo, vendedor de roupas, de 37 anos, que geralmente utiliza o transporte público, será usar sua moto para cumprir com os afazeres. O vendedor afirma que estava “por fora” da paralisação, mas não é totalmente contra a manifestação. “Temos que ver que se estão fazendo a greve é porquê tem um motivo”, comentou Luís. Enquanto o frentista Welber Cardoso, de 32 anos, se mantinha preocupado com o compromisso da próxima manhã, na Defensoria Pública de Sorocaba. “Se eu perder o compromisso será bem complicado reagendar”, comentou.
A exemplo de Simone, Beatriz Soares, de 18 anos, atua na rede municipal fora de Sorocaba, no município de Porto Feliz. A auxiliar de educação infantil também foi uma das que negociou com os chefes e não irá ao trabalho na sexta-feira (14). O plano é compensar as horas ao decorrer dos próximos dias. “Se eu chamar um táxi vai ficar mais caro do que eu ganho por dia. Sou à favor das causas da greve, mas complica bastante para a vida de quem trabalha”, disse a jovem.
A recepcionista Eva de Fátima dos Santos, de 44 anos, irá ao trabalho por meio de uma carona do filho. José de Paiva dos Santos, de 51 anos, é morador do Residencial Carandá e trabalha como repositor de mercado. A alternativa encontrada por ele, que começou no trabalho há apenas quatro dias, também foi o carro particular por aplicativo. “Os patrões não querem saber como você vai, mas da sua presença no trabalho. Vou ter que ir de Uber, mas não sei sou ter dinheiro disponível ou não.” (Aline Albuquerque)
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