Um fantasma assombra o Brasil
Em 2015, fiz a música para uma peça de Roberto Alvim. Tratava-se de uma interpretação de Júlio César, de Shakespeare, reduzida para dois atores. Havia algo na peça que ganhou atualidade inesperada. Seu próprio diretor a encenou da forma a mais macabra. A ideia central era mostrar como a história se encarna em pessoas sem que elas o saibam. Brutus imaginava estar a defender a república, mas ele fora usado pela história para produzir o império. Pois tal processo traz novamente à vida fantasmas que são, na verdade, aquilo que uma sociedade tem de mais real. As pessoas acreditam estar a agir por consciência própria, mas elas estão sendo movidas por processos que se dão às suas costas, que se encarnam em suas falas e gestos.
Leia mais (01/19/2020 - 17h19)