Morte: o mar dos vazios
A morte é a maior ferida da experiência humana. Ela não leva apenas pessoas; leva versões de nós mesmos. Quando alguém parte, fica um vazio difícil de explicar, como um buraco aberto no peito que nenhuma distração consegue fechar. O mundo continua funcionando normalmente, mas, para quem perdeu alguém, tudo parece errado.
Isso acontece porque amar é permitir que outra pessoa habite dentro de nós. E, quando ela vai embora, leva consigo pedaços inteiros daquilo que éramos. O amor nos salva e nos destrói ao mesmo tempo. Faz a vida ganhar sentido, mas também torna a ausência insuportável.
Existe uma expectativa de que o luto precise ser superado rapidamente, como se a dor tivesse prazo de validade. Mas algumas perdas não diminuem; apenas aprendemos a conviver com elas. A saudade vira rotina. As lembranças passam a ser a única forma de manter alguém vivo dentro de nós.
Ainda assim, talvez exista beleza nisso. Amar alguém, mesmo sabendo que um dia haverá uma despedida, é um ato de coragem. A finitude não diminui o amor; ela o torna mais valioso. Afinal, é justamente porque tudo acaba que cada abraço, cada conversa e cada instante importam tanto.
No fim, viver talvez seja aceitar que somos frágeis diante da vida e continuar mesmo assim.
Uma vez, na praia, vi uma criança
Ela brincava de lutar contra as ondas
Ficava em pé
De peito aberto, se jogava contra o marSempre caía de boca no chão
E levantava toda suja de areia
Rindo mais do que antes de cair
Como se a graça fosse
Sentir a confirmação de sua certeza
E não vencer a ondaLutar contra a maré
É diversão
Achar que vai vencê-la
É tolice
Tiago Vechi
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