Domingos Montagner: "Na televisão e no cinema sou calouro, me sinto mais à vontade no teatro de rua"

Quem vê Domingos Montagner em um palco improvisado do lado de fora da Casa de Cultura Mario Quintana, de cara pintada, tocando saxofone e fazendo o público rir, mal lembra do homem que vem arrasando corações como o protagonista Santo na novela global Velho Chico. 

Foto: Luciane Pires Ferreira / Divulgação

Difícil acreditar também que se tornar ator nunca tenha sido um objetivo de vida para Montagner que, depois daquele sonho de infância de ser bombeiro, formou-se em Educação Física e atuou como professor do Ensino Fundamental durante uma década. E foi justamente buscando nos jogos dramáticos uma forma de sociabilização entre os alunos que deparou com novas possibilidades.

– Uma amiga que trabalhava com a Myriam Muniz (reconhecida atriz brasileira que dá nome a um prêmio de teatro da Fundação Nacional de Artes) me levou para fazer um curso livre, e acabei ficando. No privilégio de conviver com a Myriam, tive essa epifania. Acho que, quando você procura o seu caminho, ele se abre, né? Nessa busca de me renovar, acabei encontrando aquele que seria o meu caminho: o teatro.

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Apesar de ter sido feliz dando aulas, teve que deixá-las de lado para se dedicar à nova profissão, que o levou a trabalhar com teatro de bonecos e de rua, circo e palhaçaria, até criar com Fernando Sampaio a companhia La Mínima , que o trouxe a Porto Alegre com a montagem Rádio Varieté, na Rua com Você .

– Acho que este espetáculo prova o quanto o público gosta do circo, que é uma arte-mãe responsável pela disseminação de muitas outras manifestações artísticas. E é uma atividade artesanal, em que se trabalha muita gente e se precisa de muito orçamento. Hoje em dia, se não se tem apoio de políticas públicas, é muito difícil ir em frente – destaca.

Foto: Luciane Pires Ferreira / Divulgação

Aliás, foi daí que surgiu sua ligação com a televisão. Ele atuava com Sampaio em A Noite dos Palhaços Mudos – vencedor do Prêmio Shell em 2009 – quando surgiu o primeiro convite para um teste na série Hoje É Dia de Maria – no qual não passou. Depois vieram outras seleções e participações discretas até chegar a sua primeira novela, Cordel Encantado. Quem lembra da liga do cangaceiro Herculano com a Duquesa Úrsula, interpretada por Debora Bloch, não pode crer que esse foi seu primeiro personagem na TV. Tanto é que, dali para frente, só teve sucesso. Logo conquistou seu primeiro protagonista no cinema em De Onde Eu te Vejo e, ainda neste ano, poderá ser visto em outros dois longas: o drama Vidas Partidas e a comédia Um Namorado para Minha Mulher.

– Na televisão e no cinema sou calouro, ainda estou aprendendo a trabalhar com a câmera. Pelo tempo que tenho de experiência, me sinto mais à vontade no teatro de rua, e acho importante para o ator trabalhar diretamente com o público. Nosso ofício é muito variado para ficar reduzido a um só tipo de linguagem – ressalta.

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