As pessoas morrem. A Justiça, não
A frase, da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, reflete a preocupação dos brasileiros após a morte do ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Operação Lava-Jato. O maior escândalo de corrupção já revelado no país gera ânsia por Justiça, seja em relação aos investigados em primeira instância ou àqueles que possuem foro privilegiado, e por isso estão na mira do STF.
A indicação do substituto de Teori caberá ao presidente Michel Temer, que na primeira delação vazada da Odebrecht acumula 43 citações em um possível envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. O regimento interno da Corte permite diferentes interpretações sobre a escolha de um novo integrante. Há quem entenda que o substituto de Teori herdará seus processos. Outros argumentam que, pela urgência do caso, deve haver um sorteio dos processos entre os atuais ministros.
O fato é que os holofotes estarão voltados sobre o futuro relator da Lava-Jato, mesmo que o trabalho seja comandado por um dos atuais integrantes da Corte. O sorteio poderá premiar ministros polêmicos, habituados a declarações que agradam a um ou a outro lado da disputa política. Além disso, o novo relator precisará se inteirar dos detalhes deste complexo emaranhado de ações e, ao mesmo tempo, lidar com as pressões por agilidade.
Curiosamente, a escolha de Teori, em 2012, também ocorreu sob desconfiança. Ele foi indicado pela então presidente Dilma Rousseff em meio ao julgamento do mensalão. Porém, provou independência em suas decisões, tornando-se um dos ministros mais respeitados, dentro e fora do Supremo.
Nas mãos do PMDB
A escolha do substituto do ministro Teori Zavascki no Supremo não dependerá apenas da vontade de Michel Temer, mas de seu partido. O PMDB é peça-chave na confirmação do nome, já que está à frente da presidência do Senado e da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde os candidatos ao STF precisam ser sabatinados. Por ter a maior bancada, a sigla deverá continuar no comando após a eleição de 1º de fevereiro. Denunciado na Lava-Jato, Renan Calheiros (PMDB-AL) é o mais cotado para assumir a CCJ. Por fim, o nome sugerido por Temer será submetido ao plenário do Senado, onde 11 dos 81 senadores são investigados no esquema do Petrolão. Em 2012, Teori foi sabatinado em duas sessões da comissão. Teve de responder a uma série de questionamentos de parlamentares desconfiados de sua nomeação em meio ao julgamento do Mensalão. Último indicado ao STF, Edson Fachin também passou por longa sabatina. Agora, diante da pressão popular em torno da Lava-Jato, espera-se discussões ainda mais acirradas.
Tricolor
Torcedor fanático, o ministro Teori gostava de usar assuntos relacionados ao Grêmio para não ter que responder sobre temas delicados, como a Lava-Jato. Frequentemente, quando questionado por jornalistas, rebatia: só posso opinar sobre o Grêmio.
Criança Feliz
Quase quatro meses após o lançamento do Criança Feliz, a embaixadora do programa, Marcela Temer, participará de seu primeiro evento na segunda-feira. O encontro para discutir a execução do projeto irá reunir parceiros da região Centro-Oeste, em Brasília. O ministro Osmar Terra (Desenvolvimento Social) acompanhará a agenda. Temer não deve participar. O programa é destinado a gestantes e crianças de até três anos inscritas no Bolsa Família. O trabalho é desenvolvido de forma integrada com prefeituras.
Força
A política de expansão do efetivo da Força Nacional, que pode chegar a 7 mil homens, sofre críticas de especialistas em segurança pública. Parte dos novos integrantes são jovens de 19 anos, egressos do serviço militar. O receio é que caia a qualidade da tropa de elite.
Na estrada
Enquanto Rodrigo Maia (DEM-RJ) não lança oficialmente sua candidatura à reeleição à presidência da Câmara, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) percorre o país em busca de votos. Em apenas 10 dias de campanha já viajou para 15 capitais. E hoje estará em Teresina. Já o outro candidato declarado, Rogério Rosso (PSD-DF), dá sinais de que pode desistir da disputa, tanto que deixou os deputados do próprio partido à vontade para escolher em quem votar.